Um possível surto de Hantavírus em um navio de cruzeiro mantém cerca de 150 pessoas isoladas em Cabo Verde, na África, após a morte de três passageiros e a identificação de novos casos suspeitos. Autoridades de saúde internacionais acompanham a situação com preocupação.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, há indícios de que a transmissão do vírus possa ter ocorrido entre pessoas a bordo — algo considerado incomum, já que a doença geralmente é associada ao contato com roedores contaminados.
A diretora de preparação e prevenção de epidemias da OMS, Maria Van Kerkhove, explicou que o período de incubação do vírus, que varia de uma a seis semanas, indica que os passageiros podem ter sido infectados antes do embarque. No entanto, a possibilidade de transmissão entre pessoas em contato próximo durante a viagem não está descartada.
Casos confirmados e investigação em andamento
Até o momento, a OMS confirmou dois casos da doença e investiga outros cinco suspeitos, totalizando sete ocorrências relacionadas ao surto. Entre elas, estão três mortes, um paciente em estado crítico e três com sintomas leves.
Parte dos infectados já deixou o navio, enquanto outros seguem isolados a bordo do MV Hondius, que permanece em alto-mar sob monitoramento constante.
As autoridades também tentam localizar passageiros de um voo que saiu da ilha de Santa Helena com destino a Joanesburgo, após a confirmação de que uma turista holandesa infectada esteve na aeronave. Ela morreu dias depois, após ser internada.
Navio pode seguir para a Espanha
A OMS informou que o navio deve seguir para a Espanha, onde será realizada uma investigação epidemiológica completa, incluindo desinfecção total da embarcação e avaliação de riscos.
Segundo Maria Van Kerkhove, o destino previsto são as Ilhas Canárias. No entanto, o governo espanhol ainda não confirmou oficialmente a autorização para a atracação.
Enquanto isso, autoridades de Cabo Verde já iniciaram a remoção de passageiros infectados, que estão sendo transferidos por ambulâncias aéreas para tratamento especializado.
Viagem começou na América do Sul
O cruzeiro partiu de Ushuaia, no sul da Argentina, no dia 1º de abril. A rota incluiu destinos como a Península Antártica, Geórgia do Sul e a ilha de Tristan da Cunha.
A primeira morte registrada ocorreu ainda no início da viagem, quando um passageiro apresentou sintomas e não resistiu dias depois. Desde então, o alerta sanitário foi intensificado.
Perguntas e respostas
É um vírus raro transmitido principalmente por contato com roedores infectados.
É raro, mas a OMS investiga essa possibilidade neste caso específico.
Três mortes já foram confirmadas até o momento.




