A transferência do delegado Christian Zilmon, de Cocalzinho de Goiás para Águas Lindas de Goiás, ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo em que ele aparece emocionado ao se despedir da equipe.
A mudança ocorreu depois da polêmica envolvendo a prisão da advogada Aricka Cunha, o que gerou questionamentos por parte de entidades da classe jurídica.
Vídeo mostra despedida marcada por emoção
Nas imagens que circulam nas redes sociais, o delegado aparece chorando e agradecendo o apoio recebido durante o período em que atuou na unidade.
“Essas lágrimas não são pela injustiça feita, mas pelo apoio que recebi. Fiz amigos aqui”, afirmou. Ele também destacou o respeito pela equipe policial e pediu que os colegas seguissem firmes no trabalho.
OAB pediu afastamento por violação de prerrogativas
A decisão de transferência foi assinada pelo delegado-geral André Gustavo Corteze Ganga e ocorreu após solicitação da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás.
A entidade alegou que houve violação de prerrogativas da advocacia durante a prisão da advogada, o que motivou o pedido de afastamento do delegado de suas funções na cidade.
Justiça também determinou restrições ao delegado
O Tribunal de Justiça de Goiás já havia determinado, anteriormente, que o delegado não atuasse em causa própria contra a advogada. A decisão atendeu a um habeas corpus preventivo apresentado pela OAB-GO.
O Conselho Superior da Polícia Civil também determinou o afastamento imediato do delegado da unidade onde atuava.
Prisão da advogada gerou grande repercussão
Aricka Cunha foi presa no dia 15 de abril, em Pirenópolis, dentro do próprio escritório. A detenção ocorreu após publicações nas redes sociais em que ela criticava o arquivamento de um boletim de ocorrência.
Segundo o delegado, as manifestações teriam configurado crimes como difamação, injúria e desobediência. A advogada foi liberada após pagar fiança de R$ 10 mil.
Caso segue em debate jurídico
A situação gerou debate entre juristas sobre os limites da atuação policial e o respeito às prerrogativas da advocacia. O caso segue sendo acompanhado por autoridades e entidades da área.
Perguntas e respostas
Sim, mas apenas em situações específicas. De acordo com o Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94), a prisão em local de trabalho só pode ocorrer em caso de flagrante delito por crime inafiançável, devendo ser comunicada imediatamente à OAB.
São direitos garantidos por lei aos advogados para o exercício da profissão, como inviolabilidade do escritório, comunicação com clientes e atuação livre sem sofrer constrangimentos ilegais. A violação dessas prerrogativas pode gerar responsabilização da autoridade envolvida.
Sim. Medidas administrativas podem ser aplicadas pela Polícia Civil, além de decisões judiciais, especialmente quando há indícios de abuso de autoridade ou descumprimento de garantias legais.






