Tifanny quebra silêncio após Justiça proibir sua participação na Superliga Feminina de Vôlei

Fabíola Maria Costa Silva •

A jogadora de vôlei Tifanny Abreu, de 41 anos, se manifestou publicamente pela primeira vez após a Justiça Desportiva manter a decisão que impede sua participação na Superliga Feminina e em outras competições nacionais. A atleta do Osasco publicou uma mensagem nas redes sociais nesta segunda-feira (2), na qual demonstrou tristeza diante da situação, mas reforçou sua determinação em continuar lutando pelo direito de exercer a profissão. A decisão, divulgada em 23 de outubro, representa um novo capítulo da discussão sobre a participação de atletas transgênero no esporte feminino brasileiro.

Tifanny publica desabafo após decisão da Justiça

Na publicação, Tifanny destacou os desafios enfrentados desde que perdeu a autorização para disputar competições organizadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

“Em novembro, carregarei comigo a coragem de resistir, a dignidade de existir e o amor por uma profissão que escolhi exercer com verdade, respeito e carinho”, escreveu.

A jogadora também afirmou que pretende continuar defendendo sua trajetória profissional, apesar dos obstáculos jurídicos.

“Nem sempre é fácil permanecer de pé diante de tantas adversidades, mas aprendi que resistir também é uma forma de amar aquilo em que acreditamos. Porque eu continuo aqui. Existindo, resistindo e acreditando.”

Tifanny não anunciou, na manifestação, uma data para retornar às quadras.

Justiça Desportiva mantém proibição na Superliga

O impedimento ocorreu após a Justiça Desportiva rejeitar, por unanimidade, a medida que permitia à atleta participar das competições nacionais.

Antes da decisão, Tifanny havia disputado a Supercopa e a primeira rodada da Superliga Feminina amparada por uma liminar da Justiça comum.

Entretanto, a decisão posterior alterou sua situação e impediu novas participações.

Em comunicado, a CBV afirmou que cumpriu a determinação anterior e continuará respeitando as decisões judiciais e desportivas.

A restrição alcança competições como a Superliga A e B da temporada 2026/2027, a Supercopa de 2026 e a Copa Brasil de 2027.

Nova política de elegibilidade motivou o impedimento

Em agosto, a CBV adotou uma política de proteção da categoria feminina baseada nas diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Segundo as regras divulgadas, a participação nas competições femininas fica restrita a atletas que atendam ao critério de sexo biológico feminino estabelecido pela política.

A medida segue orientações implementadas também pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

O debate envolve diferentes posições sobre critérios de elegibilidade, inclusão de atletas transgênero e equilíbrio competitivo nas modalidades femininas.

Atleta marcou história no vôlei brasileiro

Tifanny se tornou a primeira atleta transexual a disputar o vôlei feminino brasileiro e construiu uma trajetória de conquistas pelo Osasco.

Aos 41 anos, a jogadora enfrenta a possibilidade de permanecer afastada das principais competições nacionais.

Apesar da decisão desfavorável, sua manifestação indica que pretende continuar buscando alternativas para retornar às quadras.

Até o momento, não há confirmação de uma nova decisão que autorize sua participação na Superliga Feminina.

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