A Bolívia vive um momento decisivo em sua história política. Rodrigo Paz, considerado o azarão no primeiro turno e agora finalista no segundo, desafia as previsões eleitorais e promete encerrar definitivamente o ciclo de hegemonia do Movimento ao Socialismo (MAS) e de Evo Morales, que dominou a política nacional por quase duas décadas. Com o lema “capitalismo para todos”, Paz busca construir uma nova via para o país, apostando em um discurso que combina inclusão social e desenvolvimento econômico.
Nascido no exílio, o candidato carrega um passado político marcado por recomeços e rupturas — tanto familiares quanto ideológicas.
Do exílio à política nacional
Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, que governou a Bolívia entre 1989 e 1993, Rodrigo Paz nasceu no México durante o exílio político dos pais, que fugiram do país durante o regime militar. Essa trajetória o coloca como um símbolo de uma nova geração política, distante da figura polarizadora de Morales e do tradicionalismo de velhas oligarquias.
Formado em relações internacionais, Paz iniciou a carreira política como prefeito de Tarija e depois se destacou como senador. Agora, no cenário nacional, tenta se apresentar como alternativa viável para um eleitorado cansado das promessas de transformação do MAS e do desgaste de governos anteriores. Seu discurso tenta unir inovação econômica, estabilidade política e redução da desigualdade.
O fim da hegemonia de Evo Morales
A eleição marca o primeiro segundo turno em que o MAS, partido fundado por Evo Morales, não lidera com folga. Depois de anos de domínio político e social, a legenda enfrenta uma crise interna e perda de apoio popular, impulsionada por escândalos, acusações de autoritarismo e pela insatisfação com o ritmo lento da economia.
Paz, por outro lado, busca capitalizar essa desilusão propondo uma política de “capitalismo inclusivo”, em que o Estado funcione como facilitador, não como controlador da economia. “O capitalismo deve ser para todos, não apenas para quem já tem poder”, declarou o candidato em recente comício.
Um novo ciclo político em construção
Analistas afirmam que a eleição representa o fim de uma era. A possível derrota do MAS simbolizaria uma reconfiguração do mapa político boliviano, abrindo espaço para novas forças e agendas reformistas. Entretanto, o desafio de Paz será transformar seu discurso de união em governabilidade, caso vença.
As próximas semanas prometem tensão e mobilização intensa, com uma população dividida entre o desejo de mudança e o medo de instabilidade. O resultado final poderá definir o rumo da Bolívia para a próxima década — entre o legado do passado e a promessa de um futuro mais equilibrado.
Perguntas e respostas
- Quem é Rodrigo Paz?
É um político boliviano nascido no exílio, ex-prefeito de Tarija e senador, atualmente candidato à presidência. - O que significa o lema “capitalismo para todos”?
Representa a proposta de Paz de promover crescimento econômico sem excluir as classes mais pobres, com participação ampla da sociedade. - Por que a eleição é considerada histórica?
Porque representa o fim da hegemonia do MAS e o surgimento de uma nova geração política após o domínio de Evo Morales.








