Câmeras de segurança instaladas em fazendas pantaneiras flagraram um comportamento até então desconhecido entre onças-pintadas. Em vez de agirem sozinhas, como os especialistas sempre afirmaram, os felinos apareceram em grupos de até quatro indivíduos. As imagens mostram interações próximas e frequentes entre uma fêmea adulta, dois filhotes subadultos e um macho jovem — sem laços aparentes de parentesco com o grupo.
O estudo, publicado pela revista científica Biota Neotropica, analisou os vídeos gravados próximos a currais protegidos com cercas eletrificadas. O médico-veterinário Paul Raad Cisa, mestre pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), liderou a análise e descreveu as interações como “complexas e reveladoras de tolerância social entre os felinos”.
Onças demonstram aprendizado coletivo
As gravações captaram um momento crucial: uma onça jovem recebeu um choque ao tocar a cerca elétrica. Imediatamente, os outros animais observaram a reação e passaram a evitar o obstáculo. O grupo aprendeu com o erro de um dos membros e mudou de comportamento.
Produtores adotam tecnologia para evitar conflitos
Os pecuaristas da região instalaram as cercas eletrificadas como medida preventiva contra ataques ao gado. A estratégia não fere os animais e protege o rebanho, promovendo uma convivência mais equilibrada entre pecuária e vida selvagem.
Nos últimos três anos, os pesquisadores identificaram 31 onças-pintadas diferentes nas propriedades monitoradas. Mesmo com o avanço do garimpo ilegal e a expansão urbana, os felinos permanecem ativos na região.
Perguntas frequentes
Sim. Pesquisadores registraram onças-pintadas circulando juntas no Pantanal, em um comportamento raro para a espécie.
Aprende. Câmeras mostraram que o grupo evitou uma cerca elétrica após uma onça receber um choque.
Funciona. O sistema reduz conflitos com o gado sem ferir os animais e favorece a convivência no Pantanal.
Produtores usam cercas elétricas, que protegem os currais e evitam ataques sem agredir os animais selvagens.


