Em 1995, durante uma entrevista marcante ao programa Roda Viva, a economista Maria da Conceição Tavares defendeu uma visão que continua atual: a economia não pode ser dissociada da justiça social. Com seu estilo direto e crítico, ela questionou os fundamentos do pensamento econômico dominante no período, que priorizava a estabilidade e o crescimento antes da distribuição de renda. Para Tavares, esse modelo era uma “falácia” — uma armadilha que aprofundava as desigualdades e levava o país a ciclos recorrentes de crise.
Uma economista que desafiou o discurso dominante
Professora, intelectual e uma das maiores vozes do pensamento econômico brasileiro, Maria da Conceição Tavares foi uma das primeiras a apontar que o desenvolvimento sem equidade social era insustentável. No Roda Viva, ela destacou que o foco exclusivo em metas fiscais e controle inflacionário ignorava as necessidades reais da população, como emprego, renda e acesso a serviços públicos de qualidade.
Sua crítica se estendia aos governos que, segundo ela, adotavam políticas ortodoxas sem medir o impacto humano das decisões. “Não existe estabilidade econômica quando milhões de pessoas vivem na instabilidade da pobreza”, afirmou, em um dos momentos mais lembrados da entrevista.
A economista defendia que o Estado deveria ter um papel ativo na redistribuição de renda e na promoção do bem-estar social, mesmo que isso exigisse romper com dogmas de austeridade.
A prioridade: o bem-estar e o trabalho
Para Maria da Conceição Tavares, o objetivo central da política econômica deveria ser a redução da pobreza e o fortalecimento do mercado interno por meio da valorização do trabalho. Ela argumentava que aumentar o salário mínimo e incentivar o emprego não eram medidas populistas, mas estratégias de desenvolvimento sustentável.
A economista também via a desigualdade como o principal entrave ao progresso do país. Em sua análise, o crescimento só teria sentido se acompanhado de inclusão social. Essa visão contrapunha a ideia de que primeiro seria necessário “fazer o bolo crescer para depois dividir” — metáfora que ela rejeitava com veemência.
Um legado que resiste ao tempo
Quase três décadas após sua fala no Roda Viva, o pensamento de Maria da Conceição Tavares permanece atual. Suas críticas anteciparam debates que voltaram à pauta mundial, como o papel do Estado na redução das desigualdades e a necessidade de políticas econômicas voltadas à justiça social.
Figura central na formação de economistas e políticos brasileiros, Tavares deixou um legado que ultrapassa as salas de aula. Sua defesa de uma economia humanizada segue inspirando novas gerações que acreditam que o desenvolvimento só é real quando beneficia a todos.
Perguntas curtas e curiosas:
Por que Maria da Conceição Tavares criticava o modelo de crescimento econômico da época?
Porque ele priorizava a estabilidade e o crescimento antes da justiça social, o que, segundo ela, aumentava as desigualdades.
O que ela defendia como prioridade da política econômica?
A redução da pobreza, a geração de empregos e o aumento do salário mínimo.
Por que seu pensamento continua atual?
Porque suas ideias sobre justiça social e papel do Estado ainda dialogam com os desafios econômicos do Brasil e do mundo.


