A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (21), a Operação Kikimora contra integrantes de facções criminosas em Comodoro, a 677 quilômetros de Cuiabá. Os policiais prenderam cinco suspeitos, apreenderam armas e drogas e impediram novos homicídios planejados pelos grupos rivais na região Oeste do Estado.
A Delegacia de Comodoro conduziu as investigações entre março e abril de 2026. Os investigadores identificaram envolvidos em dois homicídios qualificados marcados por emboscadas, invasões de residências e execuções com armas de fogo. A Justiça expediu três mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão após representação da Polícia Civil.
O delegado Mateus Reiners afirmou que o confronto entre facções já provocou 14 homicídios em Comodoro. A Polícia Civil mantém as buscas para localizar outros quatro suspeitos que seguem foragidos. A operação integra a Operação Pharus, dentro do programa estadual Tolerância Zero contra facções criminosas.
Facção atraiu vítima para emboscada no bairro Cristo Rei
Os criminosos mataram Flávio dos Santos Ribeiro em 23 de março de 2026, no bairro Cristo Rei. Segundo a investigação, integrantes de uma facção invadiram a casa de uma testemunha, renderam a vítima e usaram o imóvel como armadilha para atrair Flávio ao local.
Quando Flávio chegou à residência, os atiradores efetuaram disparos na cabeça e no tórax. As equipes da Polícia Civil analisaram imagens de câmeras de segurança, colheram depoimentos e identificaram os envolvidos no crime.
Os investigadores apontaram que os suspeitos utilizavam imóveis de Comodoro como bases de apoio para ações criminosas e planejamento de execuções ligadas à disputa entre facções rivais.
Criminoso invadiu casa e executou rival com 15 tiros
No segundo homicídio investigado, um homem encapuzado invadiu uma residência no bairro Cidade Verde e matou Jonathan Cesar Passos de Siqueira, conhecido como “Bin Laden”, em 26 de abril deste ano.
O criminoso arrombou o imóvel e efetuou ao menos 15 disparos de pistola calibre 9 milímetros enquanto Jonathan dormia ao lado da companheira e de dois filhos menores. A Perícia Oficial recolheu 15 estojos deflagrados e seis projéteis no local do crime.
A Polícia Civil identificou Jonathan como integrante de uma facção rival ao grupo investigado no primeiro homicídio. Os investigadores relacionaram as mortes à disputa pelo controle do tráfico de drogas e domínio territorial em Comodoro.
Polícia apreende armas e evita novos ataques
As equipes policiais encontraram armas e drogas durante o cumprimento dos mandados nesta quinta-feira. Segundo o delegado Mateus Reiners, os suspeitos planejavam novos ataques na cidade.
“Os investigados se preparavam para uma nova investida, mas os policiais prenderam os envolvidos em flagrante com armamentos e drogas”, afirmou o delegado.
Os suspeitos podem responder pelos crimes de homicídio qualificado, organização criminosa, tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo. As penas podem ultrapassar 30 anos de prisão, conforme prevê o Código Penal e a Lei das Organizações Criminosas.
A Justiça considera homicídio qualificado quando o crime envolve emboscada, crueldade ou impossibilidade de defesa da vítima.
A Lei das Organizações Criminosas prevê penas que podem ultrapassar 30 anos quando há homicídios e tráfico envolvidos.
A população pode denunciar pelo 197 da Polícia Civil ou pelo 190 da Polícia Militar com garantia de sigilo.



