O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, conquistou uma importante vitória política nesta quarta-feira (25) ao sancionar a reforma trabalhista que o Senado colombiano discutia há oito meses. Após um longo embate com setores conservadores e representantes empresariais, o Congresso aprovou o projeto com alterações mínimas, consolidando uma das principais promessas de campanha do mandatário.
O governo construiu a nova legislação com ampla mobilização popular e articulação estratégica, chegando a ameaçar convocar consultas populares caso o Congresso rejeitasse a medida. A pressão surtiu efeito: os congressistas cederam e aprovaram tanto a reforma trabalhista quanto a previdenciária, barrando apenas a proposta de consulta pública.
Pressão política e vitória simbólica
A proposta enfrentou forte resistência de empresários e partidos de oposição, que viam nas mudanças uma ameaça à flexibilidade contratual e aos custos operacionais. Petro, no entanto, conseguiu mobilizar sua base aliada, o movimento Pacto Histórico, e apostou no engajamento popular como peça central de sua estratégia.
A ameaça de recorrer a plebiscitos e consultas diretas desgastou ainda mais o Congresso, que optou por negociar e aprovar parcialmente o texto. Do total de 77 artigos que o Executivo havia proposto originalmente, os parlamentares retiraram apenas 7, demonstrando a força da articulação do governo na condução do processo legislativo.
O que muda com a nova legislação?
Entre os principais pontos da reforma estão a ampliação da jornada noturna, o fortalecimento de direitos para trabalhadores informais e a proteção contra demissões arbitrárias. A proposta também inclui mecanismos para reduzir a terceirização abusiva e garantir o pagamento de horas extras com maior rigor.

Para os defensores da proposta, a reforma representa um avanço na distribuição de renda e uma resposta às crescentes desigualdades sociais na Colômbia. Já para os críticos, ela pode gerar insegurança jurídica e reduzir a competitividade das empresas.
Compromisso com o pacto social
Durante a cerimônia de sanção, realizada na Quinta Bolívar, em Bogotá, Petro fez um apelo direto ao empresariado: “Precisamos vigiar as empresas. É preciso um pacto entre o patrão e os trabalhadores, porque, sem isso, perdemos como nação.” O presidente reforçou que as mudanças só terão impacto real se forem efetivamente aplicadas e fiscalizadas.
Perguntas e respostas
1. Petro pode convocar outras consultas populares?
Sim, ele ainda pode recorrer ao mecanismo para outras reformas pendentes.
2. O que mais mudou com a nova lei trabalhista?
A ampliação da jornada noturna e maior fiscalização sobre demissões.
3. Empresários ainda podem barrar a reforma?
Judicialmente, sim, mas as chances de reversão são consideradas baixas.



