Lideranças do PT e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levantaram a suspeita de que o apoio do ex-presidente Michel Temer (MDB) a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial estaria relacionado a uma possível articulação para evitar um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi publicada nesta quarta-feira (7) pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Interlocutores de Temer e de Flávio, entretanto, negam a existência de qualquer acordo. Portanto, até o momento, a hipótese representa uma interpretação de integrantes do campo petista, e não um entendimento confirmado entre os envolvidos.
Apoio de Temer provoca reação entre aliados de Lula
Temer anunciou publicamente apoio a Flávio na segunda-feira (5), um dia depois do primeiro turno. Antes da declaração, os dois conversaram diretamente. O ex-presidente afirmou que o resultado das urnas demonstrou desejo de mudança e associou a candidatura do senador à necessidade de uma “reconexão” política.
A aproximação ganhou repercussão porque Temer foi responsável por indicar Alexandre de Moraes ao STF, em 2017. Atualmente, o ministro enfrenta críticas recorrentes de integrantes do grupo político ligado à família Bolsonaro.
Um dos integrantes da campanha de Lula que levantou publicamente a hipótese de negociação foi o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha petista em São Paulo. Ele afirmou acreditar que Temer teria negociado uma maneira de proteger Moraes caso Flávio vença a eleição. Não foram apresentadas provas públicas desse suposto acordo.
Aposentadoria antecipada aparece entre especulações
Segundo a coluna, uma liderança nacional do PT ouvida sob reserva avalia que uma eventual negociação poderia envolver uma aposentadoria antecipada de Moraes em 2027. Nesse cenário levantado pelo interlocutor, o ministro deixaria o Supremo antes de assumir a presidência da Corte.
A possibilidade, contudo, permanece no campo da especulação política. Interlocutores ligados tanto a Temer quanto a Flávio negaram à publicação qualquer acordo com essa finalidade.
Aliados de Flávio falam em impeachment
Enquanto integrantes do PT levantam a hipótese de uma negociação, políticos próximos de Flávio sustentam publicamente outra posição. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, declarou que considera o impeachment de Moraes “inegociável” diante da nova composição do Senado.
Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno após receber 47,03% dos votos válidos no domingo (4), contra 45,16% de Lula. Os dois candidatos voltam às urnas em 25 de outubro.
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