“Não tem defesa e não há interpretação diversa”, diz Frederico Murta sobre mensagens entre Moraes e Vorcaro

Fabíola Maria Costa Silva

O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso e candidato a deputado federal Frederico Murta (Podemos) afirmou que o conteúdo das mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, levanta questionamentos que precisam ser analisados pelas autoridades. A manifestação ocorreu após a retirada do sigilo de parte do material relacionado às investigações do caso.

Delegado há mais de 15 anos, Murta utilizou sua experiência profissional para sustentar a avaliação jurídica que fez sobre as conversas. Segundo ele, o teor de mensagens dessa natureza poderia, em uma investigação comum, servir como elemento para fundamentar medidas cautelares, dependendo da análise do conjunto probatório e da decisão judicial.

“Eu sou delegado de polícia há mais de 15 anos. Já conduzi algumas dezenas de investigações analisando esse tipo de conteúdo, conversas privadas. E uma conversa dessa, em qualquer contexto, envolvendo qualquer pessoa, é mais do que suficiente para embasar um pedido e uma decisão de prisão preventiva”, afirmou Murta em vídeo publicado nas redes sociais.

Murta concentra críticas no conteúdo das conversas

Para o delegado, o principal ponto não seria simplesmente a existência de contato entre Moraes e Vorcaro, mas aquilo que aparece nas conversas divulgadas.

“Não é só o fato deles manterem contato, não. É conteúdo mesmo. Tem conversa do Daniel Vorcaro dizendo que o contrato é o mais importante que ele tem e que o pagamento não pode atrasar em hipótese alguma. Uma conversa dessa não tem defesa, não há interpretação diversa. Simplesmente não existe”, declarou.

A afirmação representa a interpretação de Frederico Murta sobre o material divulgado. Eventuais responsabilidades criminais ou outras consequências jurídicas dependem da apuração das autoridades competentes.

Material coloca contrato milionário sob atenção

Entre os elementos tornados públicos estão informações relacionadas ao contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Reportagens baseadas no material da investigação apontam que Moraes teria sido consultado durante a elaboração de uma minuta relacionada ao contrato. O escritório de Viviane afirmou que a consulta ao ministro tratou de possíveis impedimentos legais e sustentou que não existia impedimento para a contratação.

O material divulgado também reúne mensagens nas quais Vorcaro demonstra preocupação com o avanço das investigações.

Em 15 de novembro de 2025, por exemplo, o banqueiro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal durante os desdobramentos da investigação envolvendo o Banco Master.

Delegado cobra análise das informações divulgadas

A retirada do sigilo ampliou a repercussão política das conversas e dos documentos relacionados ao caso.

Murta defende que o conteúdo seja analisado com o mesmo rigor aplicado a outros investigados e sustenta que as mensagens divulgadas apresentam elementos relevantes para a investigação.

Ao finalizar sua manifestação, o delegado utilizou outra expressão para resumir sua avaliação sobre o episódio.

“O rei está nu. E todo mundo está vendo”, declarou.

Até o momento, as declarações de Murta representam sua interpretação jurídica e política sobre os elementos divulgados. A definição sobre eventual prática de irregularidades e responsabilização cabe às autoridades responsáveis pelos procedimentos relacionados ao caso Banco Master.

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