A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (15/07) a Operação Reversus e desmantelou uma organização criminosa que atuava em vários estados brasileiros aplicando golpes eletrônicos conhecidos como “falso intermediário”. O grupo enganava vítimas com falsos anúncios de venda de veículos e gado, principalmente por meio do Facebook.
Delegacia de Estelionato de Mato Grosso d3sm4ntel4 qu4drilh4 especi4lizad4 em f4ls0s intermediários digitais; veja vídeo pic.twitter.com/xLbM0HtRUz
— Perrengue2 (@perrengue2025) July 15, 2025
As equipes cumpriram simultaneamente 27 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, inclusive dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Os policiais também bloquearam contas bancárias com valores que podem chegar a R$ 2,7 milhões e determinaram o sequestro de bens de até R$ 100 mil por investigado.
Delegacia Especializada aponta esquema complexo e bem coordenado
O delegado Bruno Mendo Palmiro, da Delegacia Especializada de Estelionato, conduziu as investigações e revelou que o grupo cometeu fraudes de forma contínua entre 2023 e 2024. Os golpistas causaram prejuízos superiores a R$ 800 mil a vítimas em todo o Brasil.
Em janeiro de 2024, os criminosos aplicaram um dos golpes que motivou a operação. Eles publicaram um anúncio falso de venda de veículo no Facebook e convenceram uma moradora de Cuiabá a transferir R$ 45 mil via Pix, acreditando tratar-se de um advogado intermediando a negociação.
Preso na PCE comandava o esquema de dentro da cela
Durante as apurações, os investigadores identificaram o líder do grupo, que já cumpre pena superior a 40 anos por homicídio, tráfico e roubo. Mesmo preso na PCE, ele coordenava a operação financeira do esquema. Em Teresina (PI), a Polícia Civil prendeu o responsável por publicar o anúncio fraudulento.
Os criminosos lavavam o dinheiro de forma sofisticada. Primeiro, eles transferiam os valores para o Rio de Janeiro e espalhavam os depósitos entre 13 contas bancárias. Em seguida, eles repatriavam o dinheiro para Cuiabá, distribuíam em outras 11 contas e, por fim, centralizavam os valores em uma única conta, pertencente a uma investigada que reside em condomínio de alto padrão.
Mulher investigada tem histórico de fraude e ligação com o crime organizado
A mulher apontada como operadora financeira da quadrilha já recebeu condenação por fraude em Minas Gerais. Ela também foi casada com um criminoso executado por facções na fronteira com a Bolívia, onde o corpo e o veículo dele foram incendiados.
A polícia confirmou que o grupo funcionava com divisão clara de tarefas e usava estratégias para dificultar o rastreamento dos valores. O Ministério Público Estadual apoiou todas as medidas, e o Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, deferiu as decisões judiciais.
Perguntas frequentes
Um detento da Penitenciária Central do Estado comandou o esquema mesmo enquanto cumpria pena por homicídio, tráfico e roubo.
Eles distribuíram os valores em dezenas de contas bancárias e depois centralizaram tudo em uma conta de Cuiabá.
A quadrilha movimentou até R$ 2,7 milhões em fraudes bancárias e transferências eletrônicas.




