Março de 1974: A enchente que deixou 24 mil cuiabanos desabrigados

A maior enchente da história de Cuiabá ocorreu em 18 de março de 1974, quando o Rio Cuiabá subiu assustadores 10,87 metros. A força da água destruiu bairros inteiros, arrastou casas e deixou cerca de 24 mil pessoas sem ter onde morar. Assim, a tragédia marcou para sempre a capital mato-grossense e até hoje provoca reflexões sobre o planejamento urbano, a desigualdade social e a memória coletiva.

Os bairros mais atingidos, como Barcelos, Várzea Ana Poupino e Terceiro, concentravam comunidades vibrantes e bem organizadas. Nessas regiões, os moradores frequentavam igrejas, clubes, campos de futebol e até uma praia no rio. Quando a água invadiu tudo, famílias inteiras perderam não só seus bens, mas também a estrutura social que construíram ao longo de décadas. O poder público criou os bairros Novo Terceiro e Grande Terceiro para realocar os atingidos, mas os moradores denunciaram que as indenizações não cobriram os prejuízos reais.

Solidariedade tomou conta da cidade

Enquanto a água subia, a população reagiu. Cuiabanos abriram suas casas, igrejas e escolas para acolher os desabrigados. O estádio Dutrinha também virou abrigo. Universidades, rádios e empresas organizaram campanhas de doações, arrecadaram alimentos, roupas e remédios e enviaram tudo aos atingidos. A sociedade demonstrou que, diante do caos, sabia agir com compaixão e rapidez. A mobilização popular minimizou os impactos de uma tragédia que poderia ter sido ainda mais devastadora.

Enchente provocou mudanças na paisagem urbana

O pós-enchente não se limitou à reconstrução. As autoridades aproveitaram a destruição para iniciar um processo de reurbanização que, com o tempo, empurrou as populações pobres para áreas mais afastadas. Os bairros alagados perderam espaço para construções comerciais e avenidas. A especulação imobiliária tomou conta de parte da área antes ocupada por comunidades populares. Então, esse movimento acelerou a gentrificação e aprofundou as desigualdades sociais em Cuiabá.

Prevenção passou a fazer parte do discurso oficial

A tragédia de 1974 pressionou o Estado a buscar soluções duradouras. Uma das principais ações foi a construção da Usina Hidrelétrica de Manso, inaugurada em 1999. Apesar do foco na geração de energia, a barragem também serve para conter o volume do Rio Cuiabá e reduzir o risco de novas enchentes. Especialistas, no entanto, afirmam que a obra sozinha não basta. Eles defendem que as autoridades mantenham um planejamento urbano sustentável, aliado à educação ambiental e ao investimento em infraestrutura.

O que restou do antigo Terceiro?

Hoje, o cais na beira do rio é a única lembrança física do antigo Bairro Terceiro. O local virou um símbolo silencioso da tragédia e da resistência de quem viveu ali. Sobreviventes da enchente e seus descendentes ainda mantêm viva a memória da comunidade, principalmente em encontros, redes sociais e homenagens anuais. Eles preservam histórias que o rio quase levou, mas que a cidade não pode esquecer.

Perguntas frequentes

Quantos metros o Rio Cuiabá subiu na maior enchente da história?
O rio atingiu 10,87 metros acima do nível normal.

Que bairros desapareceram por causa da enchente?
A enchente destruiu os bairros Barcelos, Várzea Ana Poupino e Terceiro.

O que as autoridades fizeram depois da tragédia?
Elas construíram a Usina Hidrelétrica de Manso para ajudar no controle das cheias.

Jamilly Jenyffer Siqueira Neves

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