O senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo de Mato Grosso, voltou ao centro do debate político após adversários resgatarem trechos do livro “Os bens que os políticos fazem”, publicado pelo jornalista Chico de Gois em 2013. A obra dedica um capítulo ao parlamentar e reúne informações sobre evolução patrimonial, empresas familiares, negócios no setor de comunicação, emendas parlamentares, investigações e acusações feitas por terceiros. Como o material retrata acontecimentos apurados até 2013, as citações a inquéritos e acusações não representam, por si só, condenações ou comprovação de irregularidades.
Entre os pontos apresentados pelo autor está a evolução dos bens declarados por Fagundes à Justiça Eleitoral. Segundo o livro, o patrimônio informado era de R$ 585 mil em 2004 e R$ 681 mil em 2006. Em 2010, a declaração teria alcançado R$ 7,2 milhões, distribuídos em mais de 40 itens. A obra também aborda negócios envolvendo integrantes da família do senador.
Livro aborda patrimônio e empresas da família
Chico de Gois dedica parte do capítulo à WAF Gestão e Investimentos Ltda., criada em 2008 por Wellington e pelos filhos João Antonio Fagundes Neto e Diógenes de Abreu Fagundes.
Segundo a obra, a empresa começou com capital social de R$ 45 mil, passou posteriormente para R$ 1,27 milhão e chegou a R$ 3,115 milhões. O jornalista levanta questionamentos sobre a origem dos recursos e imóveis envolvidos nessas operações.
O livro também menciona negócios de familiares no setor de comunicação e registra que João Antonio e Diógenes passaram a integrar formalmente uma empresa de rádio em Primavera do Leste após alteração contratual autorizada pelo Ministério das Comunicações em 2012, durante o governo Dilma Rousseff (PT).
Máfia dos Sanguessugas aparece entre acusações antigas
Outro episódio abordado envolve a chamada Máfia dos Sanguessugas, investigada em 2006. Segundo o livro, o empresário Luiz Antonio Vedoin acusou Wellington de receber comissão relacionada à execução de emendas destinadas à compra de ambulâncias e afirmou ter entregue dinheiro ao então deputado.
As declarações pertencem ao acusador e não equivalem a uma comprovação de que Wellington tenha recebido os valores.
A obra também menciona Cinésio de Oliveira, ex-chefe de gabinete de Fagundes, que posteriormente ocupou a Superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo Chico de Gois, Vedoin também acusou Cinésio de receber valores em nome do parlamentar.
Inquéritos e processos também são recuperados
O livro registra ainda que, em 2013, Wellington aparecia em inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Entre eles estava o Inquérito 3496, relacionado a uma investigação sobre possível peculato. A obra registra a existência da apuração naquele período, sem apontar condenação do parlamentar pelo crime.
Outro caso mencionado envolve uma investigação sobre valores relacionados ao INSS. Segundo o livro, o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu o arquivamento do inquérito em 2010 em razão da prescrição.
A declaração de bens de Wellington também foi questionada judicialmente em 2004 por suposta falsidade ideológica. Conforme relatado na obra, o caso chegou ao STF e acabou arquivado em 2005 após a Procuradoria-Geral da República entender que não havia ilegalidade na situação analisada.
Obra volta ao debate durante campanha eleitoral
Chico de Gois afirma no livro que procurou a assessoria de Wellington em setembro de 2013 e encaminhou dez questionamentos sobre patrimônio, empresas, negócios de comunicação, investigações e emendas. Segundo o jornalista, a assessoria inicialmente informou que responderia, mas as respostas não chegaram antes da conclusão da obra.
Publicado há 13 anos, o capítulo voltou a circular em meio à disputa pelo Governo de Mato Grosso. Adversários de Wellington passaram a utilizar os episódios narrados pelo autor para questionar a trajetória política e patrimonial do senador.
Entretanto, o próprio conteúdo reúne situações jurídicas distintas: acusações de terceiros, investigações, procedimentos arquivados e decisões judiciais. Por isso, as referências apresentadas no livro precisam ser analisadas de acordo com o resultado de cada procedimento, sem tratar acusações ou a simples abertura de inquéritos como comprovação de crime.
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