O deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) voltou a gerar polêmica ao defender medidas extremas no combate ao crime organizado. Em entrevista à BBC News Brasil, o parlamentar anunciou o lançamento de um novo partido, batizado de “Missão”, e afirmou que sua legenda vai propor uma “declaração de guerra literal, não retórica” contra facções criminosas no país.
Segundo ele, o objetivo é endurecer a legislação penal e reformar a Constituição para permitir pena de morte e prisão perpétua para criminosos ligados a facções. “Eles devem ser tratados como inimigos do Estado”, declarou. As afirmações já provocaram forte repercussão política e jurídica em Brasília.
A proposta do Partido Missão
O novo partido, que está em processo de formação, pretende reunir apoiadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e setores conservadores descontentes com as siglas tradicionais. Kataguiri afirma que o Missão nasce com o propósito de “reorganizar a direita brasileira” e de apresentar pautas consideradas “pragmáticas e sem populismo”.
Entre as prioridades do programa estão reformas no sistema de segurança, educação e economia. A legenda, segundo o deputado, deve lançar um candidato próprio à Presidência da República, mas ele descarta qualquer aliança com a família Bolsonaro. “Eu não apoiaria ninguém dos Bolsonaro. Precisamos de algo novo”, disse.
Guerra ao crime e revisão constitucional
A proposta de “guerra ao crime” apresentada por Kataguiri prevê medidas duras e uma revisão constitucional. Ele argumenta que o atual modelo de punição é “ineficiente” e que o Brasil precisa tratar facções criminosas como forças hostis ao Estado.
A fala, no entanto, esbarra em limitações legais. A Constituição Federal de 1988 proíbe expressamente a pena de morte, exceto em caso de guerra declarada, e não prevê prisão perpétua. Especialistas apontam que, para implementar essas medidas, seria necessária uma nova Constituição — o que, segundo o deputado, faz parte do plano. “O Missão defende uma nova Carta Magna, com regras mais duras contra o crime”, afirmou.
Mudanças de postura e o impacto político
Durante a entrevista, Kataguiri também revelou ter mudado de opinião sobre privatizações, dizendo acreditar agora em um modelo mais equilibrado entre Estado e iniciativa privada. A nova postura, somada ao discurso radical na segurança, sinaliza uma tentativa de reposicionar sua imagem no cenário nacional.
O anúncio do Missão ocorre em um momento de fragmentação política, e o partido ainda precisa coletar assinaturas e obter registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes de disputar eleições. A promessa de uma “nova direita combativa” promete ampliar o debate — e a controvérsia — sobre o rumo do país.
Perguntas e respostas
- O que o Partido Missão propõe em relação ao crime organizado?
O partido defende pena de morte e prisão perpétua para integrantes de facções criminosas. - Por que Kim Kataguiri fala em criar uma nova Constituição?
Porque as medidas que ele propõe violam a atual Constituição, que proíbe pena de morte e prisão perpétua. - O novo partido terá ligação com o bolsonarismo?
Não. Kataguiri afirmou que não apoiará nenhum membro da família Bolsonaro e busca construir uma legenda independente.



