A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (23) a Operação Aposta Perdida contra um grupo familiar investigado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online. Ao todo, cumpre 34 ordens judiciais, incluindo buscas, bloqueios de contas, apreensão de passaportes e sequestro de bens que chegam a R$ 10 milhões.
A Justiça expediu sete mandados de busca e apreensão domiciliar e empresarial, duas suspensões de atividades econômicas, dois bloqueios de contas em redes sociais, cinco sequestros de imóveis e quatro sequestros de veículos. As equipes atuam em Cuiabá, Várzea Grande e Itapema (SC).
A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), a Draco e a Diretoria de Inteligência conduzem a investigação. A operação busca desmontar a estrutura financeira do grupo e ampliar a coleta de provas.
Investigação aponta uso do “jogo do tigrinho”
A Polícia Civil identificou um esquema de captação de dinheiro por meio da divulgação e intermediação de plataformas ilegais de apostas, conhecidas como “jogo do tigrinho”. As plataformas operavam sem regulamentação no país, segundo a investigação.
Os suspeitos usavam redes sociais para prometer ganhos rápidos e altos lucros. Com isso, atraíam novos participantes e ampliavam o alcance das plataformas digitais.
Os investigadores apontam características típicas de pirâmide financeira. Nesse modelo, o sistema depende da entrada constante de novos usuários para sustentar pagamentos.
Influenciadoras impulsionavam adesão
A investigação também identificou a atuação da esposa e da cunhada do principal alvo. Segundo a polícia, elas usavam perfis nas redes sociais para divulgar links e estimular apostas.
As investigadas exibiam supostos resultados positivos, ostentavam padrão de vida elevado e publicavam conteúdos frequentes para ampliar a confiança do público.
A Polícia Civil afirma que essa estratégia aumentava a entrada de novos usuários e fortalecia a geração de receitas ilegais.
Grupo ostentava imóveis e carros de luxo
Os investigadores mapearam compras de imóveis de alto padrão e veículos importados, entre eles BMW, Porsche e Land Rover. O patrimônio chamou atenção por não corresponder à renda formal declarada.
A polícia também encontrou indícios de empresas de fachada, uso de laranjas, transferências fracionadas e negociações simuladas para esconder a origem do dinheiro.
Relatórios técnicos apontaram movimentações milionárias, divergências fiscais e conexões com pessoas investigadas por crimes semelhantes.
Não. Plataformas sem autorização oficial podem operar de forma irregular e gerar punições.
Sim. A lei prevê prisão, multa e bloqueio de bens, conforme o caso.
É possível denunciar à Polícia Civil, pelo 197, ou registrar boletim de ocorrência.




