Flávio Bolsonaro chama Lula de “representante do PCC” durante comício e desafia presidente a se posicionar

Fabíola Maria Costa Silva •
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O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “representante do PCC do Governo Federal” durante um comício realizado nesta quarta-feira (14), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A declaração ocorreu a 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Durante o discurso, o senador também desafiou o adversário a se posicionar sobre o combate à criminalidade. A acusação ocorreu poucos dias depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a retirada de publicações de Flávio que associavam Lula a organizações criminosas sem apresentação de provas suficientes.

Flávio Bolsonaro faz acusação contra Lula durante discurso

O comício aconteceu no Largo Glênio Peres, próximo ao Mercado Público, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Durante o evento, Flávio Bolsonaro fez críticas ao presidente e utilizou uma expressão que relacionava o adversário ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Eu tenho um desafio pro representante do PCC do Governo Federal, chamado Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou o candidato, conforme vídeo divulgado pelo portal Pleno.News.

Em seguida, o senador acrescentou: “Vamos ver se ele tá a favor das vítimas, dos cidadãos ordeiros como nós estamos, ou se ele está do lado dos marginais”.

A declaração representa uma acusação política do candidato e não comprova qualquer vínculo entre Lula e a organização criminosa.

Candidato afirma ter visto vídeos envolvendo facções

Durante o mesmo discurso, Flávio Bolsonaro afirmou ter assistido a vídeos que, segundo ele, mostrariam integrantes do PCC e do Comando Vermelho ameaçando moradores de comunidades para influenciar suas escolhas eleitorais.

O candidato também relatou supostos episódios de agressões contra mulheres em razão de suas preferências políticas.

“É muito revoltante ver mulheres sendo chicoteadas por causa da sua preferência política”, afirmou.

Entretanto, os vídeos mencionados pelo senador não apareceram no trecho divulgado do discurso, e o material apresentado não permite confirmar as acusações.

TSE já determinou retirada de publicações semelhantes

As declarações ocorreram após decisões do Tribunal Superior Eleitoral envolvendo conteúdos publicados por Flávio Bolsonaro nas redes sociais.

Em 8 de outubro, o tribunal determinou, por unanimidade, a remoção de publicações que associavam Lula ao PCC e ao Comando Vermelho.

Na ocasião, os ministros entenderam que atribuir vínculos pessoais entre candidatos e organizações criminosas sem elementos mínimos de comprovação ultrapassava os limites da crítica política.

Posteriormente, na terça-feira (13), o TSE também determinou a retirada de outros vídeos com conteúdo semelhante.

O relator, ministro André Mendonça, considerou que as publicações utilizavam declarações de Lula fora de contexto.

Governadores participam de comício em Porto Alegre

O evento reuniu aliados políticos de Flávio Bolsonaro, incluindo o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Também participaram o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, e o governador eleito do Paraná, Sergio Moro.

Durante o discurso, Flávio ergueu uma bandeira do Rio Grande do Sul marcada pela lama das enchentes de 2024 e utilizou o objeto para criticar a gestão do atual presidente.

O senador também mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai, e afirmou que pretende governar para eleitores de diferentes posicionamentos políticos caso vença a eleição.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%.

Até a publicação da reportagem original, a campanha do presidente não havia apresentado manifestação pública sobre as declarações feitas no comício.

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