Quase dois anos após o assassinato do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, o Tribunal do Júri de Cuiabá iniciou, nesta quarta-feira (15), o julgamento de Alex Roberto de Queiroz Silva, acusado de executar o crime. O depoimento da filha da vítima, Lívia Nery, marcou a abertura da sessão e reforçou o impacto que o homicídio ainda provoca na família. Segundo ela, o medo e a insegurança permanecem presentes desde o atentado.
O julgamento representa a primeira etapa do processo criminal relacionado ao caso. Durante a sessão, o Conselho de Sentença analisa a acusação contra Alex Roberto, enquanto o Ministério Público sustenta que ele efetuou os disparos contra Renato Nery. Paralelamente, a Justiça mantém ações penais contra os demais investigados apontados pela Polícia Civil durante a apuração.
Filha relata medo e espera por justiça
Antes do início do júri, Lívia Nery conversou com a imprensa e afirmou que a família ainda enfrenta as consequências do assassinato. Ela explicou que os parentes passaram meses convivendo com incertezas e dependeram de proteção policial após o crime.
Além disso, Lívia afirmou que o suposto envolvimento de policiais militares nas investigações aumentou a apreensão da família. Ela declarou que somente conseguirá recuperar a tranquilidade quando todos os julgamentos terminarem e a Justiça concluir a responsabilização dos envolvidos.
A filha do advogado também destacou que este representa apenas o primeiro julgamento do caso. Segundo ela, a família acredita que a Justiça começou a responder pelo crime justamente no período em que a morte de Renato completou quase dois anos.
Acusação aponta Alex Roberto como autor dos disparos
O Ministério Público acusa Alex Roberto de Queiroz Silva de executar Renato Gomes Nery na manhã de 5 de julho de 2024, quando o advogado chegou ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá.
De acordo com a investigação, Alex aguardou a chegada da vítima nas proximidades do imóvel. Em seguida, efetuou os disparos e fugiu imediatamente em uma motocicleta.
Uma câmera de segurança registrou toda a ação. As imagens mostram Renato caminhando em direção ao escritório, sendo atingido pelos tiros e caindo logo após os disparos. Médicos socorreram o advogado, porém ele morreu no dia seguinte em decorrência dos ferimentos.
Investigação identifica disputa por terras como motivação
A Polícia Civil concluiu que uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras, em Novo São Joaquim, motivou o assassinato.
O Ministério Público afirma que César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos encomendaram o homicídio mediante pagamento de R$ 200 mil. Ambos respondem como supostos mandantes do crime.
Além disso, a investigação atribui participação a policiais militares que, segundo a acusação, articularam a execução, forneceram a arma e organizaram o pagamento ao executor.
Investigação detalha a participação dos acusados
Segundo o Ministério Público, César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos financiaram e encomendaram o assassinato.
A acusação identifica Alex Roberto de Queiroz Silva como responsável pelos disparos.
O Ministério Público também aponta o sargento Heron Teixeira Pena Vieira como intermediador responsável por receber dinheiro, obter a arma e contratar Alex para executar o homicídio.
Além disso, a investigação afirma que o policial militar Ícaro Nathan Santos Ferreira forneceu a arma utilizada no crime e facilitou a movimentação financeira relacionada ao pagamento.
Já o policial militar Jackson Pereira Barbosa, conforme a denúncia, coordenou a execução e realizou pagamentos. Os investigadores também acusam os policiais de fraude processual qualificada e abuso de autoridade por supostamente tentarem dificultar as investigações.
Júri analisa primeiro acusado do caso
O Tribunal do Júri julga exclusivamente Alex Roberto de Queiroz Silva nesta etapa do processo. Enquanto isso, a Justiça mantém os demais processos contra os outros investigados.
Se o Conselho de Sentença reconhecer a culpa do acusado, a Justiça aplicará as penas previstas para os crimes descritos na denúncia do Ministério Público. Conforme determina a Constituição Federal, o Tribunal do Júri julga todos os crimes dolosos contra a vida.
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