“Fila do ossinho” não começou agora: Abilio Brunini diz que prática existe há 20 anos e reacende debate sobre pobreza em Cuiabá; veja vídeo

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a comentar publicamente sobre a chamada “fila do ossinho”, prática em que moradores aguardam doações de ossos e aparas de carne em frente a açougues da capital. Segundo ele, o fenômeno não é recente e faz parte da realidade cuiabana há pelo menos duas décadas. A fala, dada durante entrevista nesta semana, reacendeu um debate sensível sobre desigualdade, políticas sociais e geração de empregos na cidade.

Prefeito classifica fila como tradição, mas crítica social permanece

Ao explicar sua posição, Abilio Brunini afirmou que a fila não é consequência de um governo específico, mas de uma prática consolidada ao longo dos anos. “Enquanto houver açougue doando, haverá pessoas esperando”, disse. Ele defendeu que o problema não surgiu agora e que não acompanha apenas crises econômicas, mas uma cultura de aproveitamento de doações que já se repete há cerca de 20 anos.

A declaração, no entanto, não encerra o desconforto gerado pela imagem da fila — que ganhou repercussão nacional durante a pandemia, quando centenas de pessoas amanheciam na porta de uma casa de carnes no CPA para receber ossos que serviriam como única fonte de proteína na refeição. A cena se tornou símbolo da insegurança alimentar no país.

Pandemia expôs vulnerabilidade e ampliou visibilidade

Embora o prefeito tenha enfatizado que a fila não surgiu no atual cenário político, o episódio se tornou emblemático durante a crise sanitária da Covid-19. Desemprego, queda de renda e aumento do preço dos alimentos fizeram a busca por ossos e sobras se intensificar.

Para muitas famílias cuiabanas, o “ossinho” se tornou a única forma de complementar o arroz branco servido no almoço. A situação evidenciou falhas históricas nas políticas sociais e levantou questionamentos sobre a capacidade do poder público de atender populações em situação de vulnerabilidade extrema.

Propostas de Abilio incluem ferrovia e frigorífico para gerar empregos

Ao comentar possíveis soluções, Abilio Brunini citou dois projetos que considera essenciais para transformar a realidade econômica da capital: a chegada de uma ferrovia e a instalação de uma planta frigorífica em Cuiabá. Segundo ele, ambos os investimentos teriam potencial de criar milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, reduzindo a dependência de programas assistenciais e oportunizando renda para famílias hoje em situação de precariedade.

Mesmo assim, especialistas apontam que projetos estruturais de médio e longo prazo não substituem a necessidade imediata de políticas de combate à fome, segurança alimentar e fortalecimento da rede de proteção social.


Perguntas frequentes:

A fila do ossinho é recente?
Não. Segundo o prefeito, a prática existe há cerca de 20 anos em Cuiabá.

Por que a fila ganhou repercussão nacional?
Porque, na pandemia, centenas de pessoas passaram a depender da doação de ossos como única fonte de proteína.

Quais soluções Abilio defende?
A chegada de uma ferrovia e a instalação de uma planta frigorífica para gerar empregos na capital.

Fabíola Maria Costa Silva

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