Um conflito envolvendo uma dívida rural discutida na Justiça terminou em uma tentativa de homicídio na manhã desta sexta-feira (26), em Feliz Natal, no norte de Mato Grosso. O produtor rural Maikel Alan Tespesal levou dois tiros enquanto dirigia sua caminhonete dentro da Fazenda Rio Ferro acompanhado da esposa e dos dois filhos, de 15 e 2 anos.
Segundo relatos da família e informações da Polícia Militar, Renato Azilago efetuou os disparos. A Agrex do Brasil contratou Renato para acompanhar a colheita de milho determinada pela Justiça. A empresa utilizaria a produção como garantia para o pagamento de uma dívida que ainda gera disputa judicial.
Mesmo ferido, Maikel assumiu o controle da situação, dirigiu até o hospital de Feliz Natal e buscou atendimento médico. Em seguida, a equipe médica transferiu o produtor para o Hospital Regional de Sorriso, onde os médicos retiraram os projéteis durante uma cirurgia.
Filho grava momento do ataque
O filho adolescente da vítima registrou toda a ação em vídeo. As imagens mostram a caminhonete da família passando por uma estrada interna da fazenda quando Renato desce de outro veículo já empunhando uma pistola.
Logo depois, Renato dispara contra a caminhonete. Dois projéteis atravessam o para-brisa e atingem Maikel no rosto e no ombro. Diante da ameaça, o produtor acelera o veículo, atinge Renato e deixa o local para proteger a família.
A esposa da vítima, Thatieli dos Santos, afirmou que a família apenas observava a lavoura quando encontrou a equipe que realizava a colheita autorizada judicialmente.
Disputa judicial está no centro do conflito
A Justiça autorizou a Agrex do Brasil a entrar na propriedade e colher aproximadamente 48.780 sacas de milho para garantir o pagamento de uma dívida rural.
A decisão judicial saiu no dia 24 de junho. Logo depois, equipes iniciaram a colheita da produção. Segundo a família, ninguém impediu os trabalhos e todos respeitaram a determinação judicial.
Entretanto, a esposa do produtor afirma que a empresa descumpriu contratos relacionados ao fornecimento de insumos agrícolas. Segundo ela, a Agrex entregou apenas parte dos produtos contratados para as lavouras de soja e milho, fato que levou a família a contestar judicialmente os valores cobrados.







