Empresário acusado de chefiar fraude milionária no TJMT escreve carta e tenta inocentar mãe e irmão

O empresário João Gustavo Ricci Volpato, investigado como principal articulador de um sofisticado esquema de desvio de recursos da conta única do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), anexou uma carta à decisão judicial que determinou sua prisão preventiva, expedida na quarta-feira (30). No documento, ele declarou que sua mãe e seu irmão não possuem qualquer vínculo com as empresas mencionadas pela Polícia Civil durante a investigação. A tentativa de afastar os familiares do caso ocorre em meio a uma das maiores operações já realizadas contra fraudes judiciais no estado.

Fraude envolvia processos judiciais e movimentações bancárias fraudulentas

A Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá identificou que o grupo criminoso atuava por meio de ações de cobrança ajuizadas na Justiça. Após protocolarem os processos, os envolvidos simulavam o pagamento da dívida por meio de comprovantes falsificados. Um servidor do próprio Poder Judiciário, também investigado, transferia os valores da conta única do TJMT para a conta judicial vinculada ao processo, permitindo o saque por meio de alvarás autorizados.

Entre 2018 e 2022, os investigadores mapearam 17 processos supostamente fraudados pelo grupo. Após uma mudança nas regras internas do Tribunal de Justiça, adotada em 2023, a polícia não identificou novos casos com o mesmo modus operandi. A suspeita é de que o grupo tenha causado um prejuízo superior a R$ 21 milhões aos cofres públicos.

Operação Sepulcro Caiado mobiliza ações em três cidades

A Operação Sepulcro Caiado cumpriu mais de 160 ordens judiciais, incluindo 11 mandados de prisão preventiva, 22 de busca e apreensão e 16 de bloqueio judicial, que totalizam R$ 21,7 milhões. A Justiça também determinou o sequestro de 18 veículos, 48 imóveis e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de dezenas de alvos. As diligências ocorreram nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Marília (SP).

As acusações incluem organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, uso de documentos falsos, peculato, patrocínio infiel e lavagem de capitais. As investigações seguem em andamento, e novas denúncias podem surgir nos próximos dias.

Tentativa de blindagem familiar marca fase inicial da defesa

Ao incluir uma carta no processo, João Gustavo Ricci Volpato afirmou que sua mãe e seu irmão não têm qualquer envolvimento com as empresas citadas nas investigações. A declaração tenta distanciar os familiares das acusações, enquanto a Polícia Civil analisa documentos e movimentações financeiras que envolvem todos os nomes ligados à organização.

Perguntas frequentes:

Por que a Polícia Civil iniciou a Operação Sepulcro Caiado?

A operação surgiu para desarticular uma organização criminosa que fraudava processos judiciais e desviava recursos do TJMT.

Qual foi a estratégia usada pelo grupo para desviar o dinheiro?

O grupo simulava o pagamento de dívidas com comprovantes falsos e utilizava servidores para liberar valores reais por meio de alvarás.

O empresário João Gustavo Ricci Volpato confessou participação no esquema?

Não. Ele negou o envolvimento dos familiares, mas ainda responde como principal suspeito da operação.

Amanda Almeida

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