Os Correios apresentaram nesta segunda-feira um amplo plano de reestruturação financeira que prevê cortes profundos de gastos, fechamento de unidades e redução significativa no quadro de funcionários. A estatal confirmou que pretende enxugar cerca de R$ 2 bilhões em despesas com pessoal, além de vender imóveis e encerrar as atividades de aproximadamente mil agências em todo o país. Atualmente, a empresa conta com cerca de 5 mil unidades em funcionamento.
O anúncio ocorre em meio a um cenário de dificuldades financeiras que, segundo a própria direção, tornou o modelo econômico da empresa insustentável nos moldes atuais. A proposta busca reequilibrar as contas e preparar o terreno para uma possível retomada do lucro a partir de 2027.
Programa de demissão voluntária deve reduzir quadro em 15 mil funcionários
Um dos pilares do plano é a implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). A expectativa da estatal é reduzir em até 15 mil o número de funcionários ao longo dos próximos dois anos. Esse volume representa cerca de 18% da folha de pagamentos dos Correios.
O PDV funciona como um acordo entre empresa e trabalhador, oferecendo incentivos financeiros para que o desligamento ocorra de forma voluntária. Na avaliação da direção, essa alternativa reduz o impacto social e evita demissões compulsórias em larga escala. Ainda assim, a medida gera apreensão entre sindicatos e trabalhadores, especialmente em regiões onde os Correios figuram entre os principais empregadores.
Empréstimos bilionários entram no centro da estratégia
Além do corte de despesas, os Correios vão recorrer ao crédito bancário para reforçar o caixa. A empresa confirmou a contratação de R$ 12 bilhões em empréstimos junto a instituições financeiras. Segundo o plano apresentado, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada.
Já Itaú e Santander participarão com empréstimos de R$ 1,5 bilhão cada. Desse total, R$ 10 bilhões devem entrar no caixa da estatal até esta semana, enquanto o restante está previsto para janeiro de 2026.
Modelo considerado inviável e aposta na recuperação até 2027
Durante entrevista coletiva em Brasília, o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, afirmou que o atual modelo econômico-financeiro dos Correios deixou de ser viável. Segundo ele, as medidas anunciadas visam recuperar a saúde financeira da empresa ao longo de 2026, criando condições para que a estatal volte a registrar lucro a partir de 2027.
O plano levanta debates sobre o futuro da empresa, o impacto nos serviços prestados à população e os efeitos do fechamento de agências, especialmente em cidades menores, onde os Correios cumprem papel essencial.
Perguntas frequentes:
Por que os Correios decidiram fechar agências?
Para reduzir custos operacionais e adequar a estrutura à nova realidade financeira.
O PDV significa demissão em massa?
Não. O programa é voluntário, embora possa resultar em grande redução no quadro.
Quando a empresa espera voltar a lucrar?
A expectativa é recuperar o equilíbrio em 2026 e retomar o lucro em 2027.








