A campanha de fim de ano da Havaianas ganhou destaque nacional após provocar reações de parlamentares ligados à direita brasileira. O comercial, estrelado pela atriz Fernanda Torres, tornou-se alvo de críticas por conta de uma frase usada logo na abertura do vídeo, interpretada por parte do público como uma mensagem com duplo sentido político.
Uma frase simples que acendeu o debate
No início da propaganda, Fernanda Torres diz: “Eu não quero que você comece o ano com o pé direito”. A expressão, comum na língua portuguesa, foi interpretada por críticos como uma provocação ideológica. A leitura ganhou força nas redes sociais e rapidamente saiu do campo publicitário para o debate político.
A reação mais direta veio da deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Em vídeo publicado nas redes, ela aparece descartando um par de chinelos da marca no lixo e afirma que, se a empresa não quer determinado público, esse público também pode rejeitar a marca.
Boicote ganha rostos conhecidos
A parlamentar Bia Kicis inspirou outros conservadores, como Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, a replicarem seu gesto. Eles seguiram o mesmo roteiro nos vídeos: criticaram a campanha e incentivaram o boicote à Havaianas. Esse movimento coletivo amplificou a polêmica e transformou o comercial em um dos tópicos mais debatidos nos círculos políticos. Os parlamentares apresentaram o boicote como uma resposta direta ao que enxergam como um distanciamento da marca dos valores conservadores.
O silêncio da marca e da atriz
Até o momento, nem a Havaianas nem Fernanda Torres se manifestaram publicamente sobre as críticas. A única ação concreta da empresa foi a retirada do vídeo do feed principal do Instagram, o que também gerou interpretações diversas. Para alguns usuários, a remoção indica cautela diante da repercussão negativa. Para outros, seria apenas uma decisão estratégica de gerenciamento de crise digital.
Especialistas em comunicação avaliam que o silêncio pode reduzir o ciclo de notícias, mas também deixa espaço para narrativas paralelas dominarem o debate.
Quando publicidade vira campo político
O episódio reforça uma tendência recente no Brasil: campanhas publicitárias se tornam alvos frequentes de disputas ideológicas. Em um ambiente polarizado, símbolos culturais e expressões cotidianas passam a ser lidos sob lentes políticas. Marcas populares, como a Havaianas, acabam no centro desse processo por atingirem públicos diversos.
A controvérsia mostra como consumo, identidade e política estão cada vez mais conectados, mesmo quando a intenção inicial é apenas vender um produto.
Perguntas e respostas
Não. O conteúdo não apresenta posicionamento partidário direto.
Porque foi interpretada por alguns grupos como uma provocação ideológica.
O impacto depende da duração da mobilização e da resposta do público.





