O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, negou neste domingo (3) que a aprovação da reeleição presidencial ilimitada represente o fim da democracia no país. Segundo Bukele, a medida segue o modelo de países desenvolvidos. Em publicação na rede social X (antigo Twitter), ele argumentou que “90% dos países desenvolvidos permitem reeleição indefinida de seus chefes de governo e ninguém se incomoda”.
Aprovação relâmpago no Congresso alimenta polêmica
A reforma constitucional foi aprovada em trâmite acelerado, o que gerou críticas de juristas e organizações civis. A votação ocorreu sem ampla discussão pública e coincidiu com uma série de prisões de opositores, jornalistas e defensores dos direitos humanos. Diversos ativistas já deixaram o país, alegando perseguição política e risco à integridade pessoal.
Entidades como a Anistia Internacional, Human Rights Watch e o Escritório em Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA) classificaram a medida como uma ameaça direta à democracia. Segundo esses organismos, a reforma representa uma “manipulação da Constituição” para concentrar poder e enfraquecer o sistema de freios e contrapesos.
Popularidade alta sustenta avanço do autoritarismo
Mesmo diante das críticas, Bukele mantém aprovação expressiva da população. Ele foi reeleito em 2024 com mais de 85% dos votos válidos, resultado que consolidou seu domínio sobre os três poderes do Estado. Desde 2022, ele intensificou o combate às gangues criminosas, o que resultou na queda dos índices de violência no país, mas também em críticas à violação de direitos civis.
O regime de exceção adotado para combater o crime organizado permite prisões sem ordem judicial, vigilância ampliada e restrições a manifestações públicas. A comunidade internacional acompanha com preocupação o rumo político de El Salvador, que, apesar dos avanços em segurança, enfrenta questionamentos sobre a manutenção do Estado democrático de direito.
Perguntas e respostas
El Salvador já teve reeleição indefinida antes?
Não. A Constituição anterior proibia mandatos consecutivos e limitava a permanência no poder.
Por que Bukele é tão popular mesmo com críticas?
Sua política de segurança reduziu drasticamente os homicídios, o que lhe rendeu amplo apoio.
A reforma pode ser revertida?
Dificilmente. Com controle do Congresso e apoio popular, Bukele possui respaldo político para mantê-la.



