A manifestação organizada por Guilherme Boulos (PSOL-SP), realizada na Avenida Paulista contra a anistia dos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro, acabou se tornando alvo de críticas e ironias por parte da direita. Embora o objetivo fosse fortalecer a pressão popular por justiça, o evento reuniu um número reduzido de participantes, o que deu margem para provocações públicas.
Direita transforma baixa adesão em ataque político
Logo após o início do ato, figuras da direita passaram a ironizar sua baixa repercussão. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, publicou uma foto com poucos manifestantes e escreveu com sarcasmo: “Conseguiram fazer uma manifestação tão grande”. Em seguida, ele acrescentou: “Se o Bolsonaro comer um pastel na Paulista, dá mais gente”.
Dessa forma, o parlamentar transformou a ausência de público em capital político para desqualificar a mobilização da esquerda. A frase viralizou nas redes sociais e foi amplamente compartilhada por apoiadores de Jair Bolsonaro, o que acirrou ainda mais o clima de polarização.
Bolsonaro se mantém no centro e provoca opositores
Mesmo após se tornar réu no Supremo Tribunal Federal por incitação ao golpe, Jair Bolsonaro não perdeu a oportunidade de reagir. Em vídeo publicado nas redes, ele ironizou a estimativa da Universidade de São Paulo (USP), que indicou 18,3 mil pessoas em seu ato anterior, realizado em Copacabana.
Além disso, Bolsonaro debochou da iniciativa de Boulos, dizendo: “Estou até promovendo o evento. Qual é a pauta? Prisão do Bolsonaro”. Assim, ele reforçou sua estratégia de se colocar como alvo político, algo que tem mobilizado sua base com sucesso.
Convocação do protesto usou imagem do próprio Bolsonaro
Curiosamente, os organizadores do ato contra a anistia utilizaram imagens de Bolsonaro nas peças de convocação. Embora a intenção fosse denunciar os atos antidemocráticos, o uso da imagem do ex-presidente gerou críticas internas. Para alguns, a estratégia apenas reforça a presença simbólica de Bolsonaro no debate político, inclusive entre seus opositores.
Com isso, o episódio revela como as disputas políticas no Brasil não se limitam aos tribunais ou ao Congresso. Elas se desenrolam, sobretudo, nas ruas e nas redes sociais, onde a narrativa muitas vezes vale mais que os números reais.
Perguntas frequentes
Ele quis ironizar a baixa presença no protesto, dizendo que até um lanche de Bolsonaro atrairia mais público.
A baixa adesão, que foi usada como argumento para deslegitimar a força da mobilização da esquerda.
O STF aceitou denúncia contra ele por incitar atos golpistas relacionados ao 8 de Janeiro.









