As defesas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros seis condenados na chamada “trama golpista” protocolaram recursos contra as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (27). Os embargos de declaração pedem que os ministros revejam trechos considerados obscuros, contraditórios ou omissos nos votos da condenação de setembro. O movimento, que marca uma nova fase do processo, busca reverter ou ao menos reduzir as penas impostas ao grupo.
As estratégias das defesas
O recurso de Bolsonaro cita diversas vezes o voto vencido do ministro Luiz Fux, que divergiu da maioria e votou pela absolvição do ex-presidente. A defesa usa esse argumento como base para questionar a decisão e pedir revisão de pontos específicos. Já o ex-ministro Braga Netto, condenado a 26 anos de prisão, contesta a forma como o tribunal interpretou sua suposta participação nos atos antidemocráticos.
O ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, condenado a 24 anos, solicita que o STF aceite seus embargos como infringentes — tipo de recurso que poderia levar à absolvição caso haja divergência entre os ministros. Outros réus, como Alexandre Ramagem, Almir Garnier e Paulo Sérgio Nogueira, também apresentaram questionamentos, pedindo redução de penas, absolvição e reavaliação de provas.
A ausência de um ministro e o impacto no julgamento
A Primeira Turma do STF, responsável pela análise do caso, está momentaneamente com quatro integrantes, após a transferência do ministro Luiz Fux para a Segunda Turma. Apesar da redução, o colegiado continua apto a julgar. O ministro Alexandre de Moraes deve encaminhar o processo ao presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, que decidirá a data do julgamento dos embargos.
Embora não exista prazo definido para a análise, a expectativa é de que o julgamento ocorra ainda neste ano. O resultado poderá definir se haverá brechas para novos recursos ou se a decisão anterior permanecerá inalterada.
O que está em jogo para Bolsonaro e seus aliados
O desfecho dos embargos pode ter efeitos diferentes para cada condenado. Caso o STF entenda que houve omissões ou falhas na fundamentação, as penas poderão ser revistas. No entanto, se o tribunal considerar os votos coerentes e completos, os recursos devem ser rejeitados, consolidando as condenações e o início das execuções penais.
O episódio mantém o clima de tensão política e jurídica em torno do ex-presidente e de figuras-chave do antigo governo. A decisão sobre os recursos tende a se tornar mais um marco na relação entre a Justiça e os antigos aliados de Bolsonaro.
Perguntas e respostas
- O que os advogados de Bolsonaro pedem no recurso?
Eles solicitam esclarecimentos e questionam trechos considerados contraditórios na condenação. - A ausência do ministro Luiz Fux interfere no julgamento?
Não, o colegiado pode funcionar com quatro ministros e prosseguir normalmente. - O que pode mudar com os embargos?
Se forem aceitos, podem reduzir penas ou abrir caminho para novos recursos; se rejeitados, a condenação permanece válida.



