Bolsa brasileira despenca após vitória de Lula, interrompe negociações e dólar dispara para R$ 5,60

Fabíola Maria Costa Silva •

O mercado financeiro brasileiro começou a segunda-feira (26) em forte queda após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A Bolsa de Valores brasileira, a B3, acionou o mecanismo de proteção conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações diante de quedas acentuadas. Enquanto isso, o dólar disparou 12,52% e chegou a R$ 5,60 por volta das 9h30. O Ibovespa futuro também registrou perdas superiores a 17% nas primeiras operações, refletindo a forte reação dos investidores ao resultado eleitoral do domingo (25).

Bolsa interrompe negociações por 30 minutos após queda

A B3 anunciou a interrupção das negociações de ativos à vista por 30 minutos diante da forte volatilidade registrada no início do pregão.

A suspensão atingiu diferentes produtos financeiros, incluindo ações, opções, fundos de índice (ETFs) e outros ativos negociados no mercado brasileiro.

O mecanismo de circuit breaker funciona como uma proteção em momentos de quedas expressivas. Quando o mercado registra uma desvalorização muito rápida, a Bolsa interrompe temporariamente as operações para reduzir os efeitos de movimentos bruscos.

De acordo com as regras da B3, caso o mercado volte a cair e alcance uma desvalorização de 15%, uma nova interrupção poderá durar uma hora.

Se a queda atingir 20%, a Bolsa poderá determinar outra suspensão, com duração definida conforme as condições do mercado.

Dólar dispara mais de 12% e chega a R$ 5,60

Enquanto a Bolsa enfrentava dificuldades, o dólar apresentou uma forte valorização diante do real.

Às 9h30, a moeda americana registrava alta de 12,52%, chegando à cotação de R$ 5,60.

O movimento ocorreu em meio ao aumento da procura por proteção financeira diante das incertezas dos investidores após a eleição presidencial.

A valorização do dólar pode afetar diferentes setores da economia brasileira, especialmente empresas que dependem de produtos importados ou possuem dívidas em moeda estrangeira.

Entretanto, o impacto sobre os preços ao consumidor depende da duração da alta e de outros fatores econômicos.

Ibovespa futuro registra queda superior a 17%

O mercado futuro também apresentou perdas expressivas nas primeiras horas desta segunda-feira.

O contrato do Ibovespa futuro com vencimento em 16 de dezembro de 2026 chegou a cair mais de 17% no início das negociações.

Por volta das 10h10, o contrato identificado como INDZ26 registrava desvalorização de 16,74%, aos 173.260 pontos.

Diante da volatilidade, a B3 ampliou o limite inferior de oscilação diária dos contratos futuros do Ibovespa.

Inicialmente, a Bolsa havia estabelecido um limite de queda de 15%. Posteriormente, aumentou esse percentual para 20%, permitindo uma oscilação maior dos contratos.

Juros futuros também sobem após resultado eleitoral

Além da Bolsa e do dólar, o mercado de juros futuros registrou forte movimentação.

Os contratos conhecidos como DIs, utilizados como referência para as expectativas de juros no Brasil, apresentaram elevação nas taxas.

Para janeiro de 2027, os juros futuros chegaram a 14%, com aumento de 54 pontos-base.

A movimentação aconteceu no primeiro dia de negociações após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL).

O presidente conquistou a reeleição no domingo, com aproximadamente 51,78% dos votos válidos, garantindo seu quarto mandato à frente do Brasil.

Os números do mercado financeiro ainda estavam sujeitos a alterações ao longo do pregão desta segunda-feira, conforme a retomada das negociações e a reação dos investidores.

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