O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve anunciar, na tarde desta quarta-feira (29/1), um novo aumento na taxa Selic. De acordo com o mercado financeiro, a decisão já parece praticamente certa. Cerca de 96,46% dos investidores apostam em um reajuste de 1 ponto percentual, o que elevaria a taxa dos atuais 12,25% para 13,25% ao ano.
Mercado financeiro reforça expectativa de alta
Os contratos de Opções de Copom negociados na Bolsa brasileira (B3) já refletem essa previsão. Além disso, poucas apostas divergem desse consenso. Apenas 0,79% dos investidores acreditam em um aumento de 1,25 ponto percentual, enquanto 2,6% projetam uma elevação ainda maior, de 1,5 ponto.
Vale lembrar que, na última reunião do Copom, realizada em dezembro, o BC já havia sinalizado essa estratégia. Na ocasião, os dirigentes do Banco Central indicaram que realizariam dois aumentos seguidos de 1 ponto percentual, um agora, em janeiro, e outro em março. No entanto, essa projeção dependia da confirmação do cenário econômico esperado.
Inflação e cenário externo aumentam a pressão
Nos últimos meses, a inflação mostrou sinais de piora, o que fortaleceu a necessidade de manter os juros elevados. Segundo o Banco Daycoval, os preços dos serviços subiram mais do que o esperado, enquanto a desvalorização do real frente ao dólar contribuiu para o aumento dos custos.
Além disso, o IPCA-15 de janeiro, considerado uma prévia da inflação oficial, trouxe novos alertas. O índice apontou uma aceleração dos chamados “núcleos da inflação”, que excluem variações mais voláteis. Dessa forma, o BC encontra mais razões para manter a política monetária restritiva.
Por outro lado, a recente valorização do real trouxe um pequeno alívio. No entanto, analistas ainda consideram essa recuperação insuficiente para reduzir significativamente as expectativas inflacionárias.
Nova composição do Copom entra em cena
A reunião desta quarta-feira também marcará uma mudança importante na composição do Copom. Pela primeira vez, a maioria dos diretores foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao todo, seis dos nove membros do comitê, incluindo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, assumiram seus cargos no atual governo.
Apesar dessa mudança, especialistas acreditam que a decisão seguirá a orientação já definida anteriormente. Afinal, o compromisso do Banco Central com o controle da inflação permanece uma prioridade.
Ao final do dia, o Copom divulgará oficialmente sua decisão, que deve influenciar os rumos da economia brasileira nos próximos meses.
Perguntas frequentes
O Banco Central eleva a Selic principalmente para conter a inflação. Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro e o consumo desacelera, reduzindo a pressão sobre os preços. No entanto, esse aumento também impacta o crescimento econômico, já que empresas e consumidores passam a gastar menos.
O aumento da Selic encarece financiamentos, como empréstimos, cartões de crédito e parcelamentos. Além disso, quem investe em renda fixa, como Tesouro Direto e CDBs, pode se beneficiar, já que esses produtos passam a oferecer retornos maiores. Por outro lado, setores como o imobiliário e o varejo tendem a sofrer com a queda na demanda.
Embora seis dos nove diretores do Copom tenham sido indicados pelo governo atual, a tendência é que o Banco Central mantenha sua independência e continue focado no controle da inflação. No entanto, o cenário político pode pressionar por uma redução dos juros nos próximos meses, o que pode gerar mudanças na condução da política monetária.









