Anvisa proíbe venda e uso de insulina e tirzepatida irregulares no Brasil

Fabíola Maria Costa Silva •

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e o uso de todos os lotes de insulina produzidos pela empresa Costa Mar Comércio Licitatório. A decisão, publicada nesta terça-feira (6) no Diário Oficial da União, também alcança uma série de peptídeos sem registro sanitário vendidos pela internet, entre eles um produto à base de tirzepatida, substância utilizada em medicamentos indicados para diabetes e obesidade. Além disso, a agência determinou medidas envolvendo lotes específicos de outros medicamentos após a identificação de possíveis problemas de qualidade.

Insulina era distribuída sem autorização

Segundo a Anvisa, a Costa Mar Comércio Licitatório distribuiu insulina glargina 3 mL/100 UI sem possuir Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) para exercer a atividade.

Uma inspeção realizada pela Vigilância Sanitária de Petrópolis (RJ), no início de setembro, constatou ainda que a empresa não funcionava no endereço informado no cadastro e não possuía licença sanitária identificada no local.

A Agência Brasil informou que procurou a empresa para obter um posicionamento, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.

Tirzepatida e outros peptídeos entram na proibição

A resolução também atingiu produtos sem registro sanitário comercializados pela internet. Entre eles está o Tirzegen 60 mg Tirzepatida, da Oxygen Pharm.

A lista inclui ainda BPC157 & TB500 40 mg, da Alluvi Healthcare; NAD+ 1000 mg, da Synedica Labs; Retagen 40 mg Retatrutide, da Oxygen Pharm; Glow GHK-CU 70 mg e Retatrutide 40 mg, ambos da Alluvi Healthcare.

De acordo com a Anvisa, produtos sem registro não podem ser fabricados, comercializados, distribuídos, divulgados, transportados ou utilizados. A determinação também alcança outros peptídeos sem notificação ou cadastro na agência e fabricados por empresa não identificada.

A tirzepatida integra uma classe de medicamentos que ganhou espaço no tratamento do diabetes e da obesidade. Por isso, a medida não significa uma proibição geral da substância no Brasil: a decisão atinge especificamente produtos irregulares indicados pela Anvisa.

Agência determina recolhimento de outros medicamentos

A Anvisa também suspendeu a comercialização, distribuição e uso do lote JNYJ1201 do medicamento Imaavy 300 mg. A fabricante Johnson & Johnson realizou o recolhimento voluntário após identificar a possibilidade de partículas de vidro em frascos do lote.

Segundo a empresa, um único frasco apresentou problema relacionado às boas práticas de fabricação. A companhia afirmou que adotou o recall preventivamente e informou que a medida não afeta o fornecimento do medicamento aos pacientes.

Outra determinação envolve o lote 0000207107 do medicamento Lizbi 2 mg/ml, fabricado pela Halex Istar Indústria Farmacêutica. Conforme a Anvisa, foi identificado desvio de qualidade relacionado à perda de esterilidade da solução devido ao comprometimento da integridade da embalagem primária.

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