A geleira Pio XI, a maior da América do Sul, segue um comportamento que contraria a tendência global de recuo das massas de gelo. Localizada no Campo de Gelo Patagônico Sul, no Chile, ela avança e engrossa desde o início dos anos 2000. Esse movimento incomum intriga pesquisadores e reforça a complexidade dos efeitos locais das mudanças climáticas.
Enquanto geleiras vizinhas perdem volume de forma acelerada, a Pio XI mantém crescimento contínuo em grande parte de sua superfície. Cientistas afirmam que o fenômeno não segue os modelos clássicos de dinâmica glacial observados em outras regiões do planeta.
Crescimento prolongado foge dos ciclos naturais
O geofísico Camilo Rada explica que o espessamento observado não resulta de um ciclo típico de avanço. Normalmente, uma geleira redistribui o gelo acumulado quando avança, sem apresentar ganho expressivo de massa por tanto tempo. No caso da Pio XI, o aumento do volume ocorre de maneira persistente, mesmo sob condições climáticas desfavoráveis.
Esse padrão transformou a geleira em um objeto central de estudo para entender como fatores específicos do terreno podem alterar o comportamento do gelo.
Estrutura rochosa atua como escudo temporário
Pesquisadores levantam a hipótese de que uma morena localizada à frente da geleira exerça papel fundamental nesse avanço. O acúmulo de rochas e sedimentos funciona como uma barreira natural. Ele reduz o desprendimento de icebergs e limita o contato direto do gelo com águas mais quentes, diminuindo o derretimento submarino.
Esse mecanismo permitiu que a geleira preservasse massa ao longo dos anos. No entanto, o próprio avanço cria um novo desafio ao expor áreas maiores de gelo à radiação solar e ao ar.
Derretimento acelerado pode inverter o cenário
Com o aumento da superfície exposta, o derretimento superficial tende a se intensificar. Segundo Rada, esse processo pode compensar as perdas evitadas no passado e provocar um recuo abrupto. Caso a hipótese se confirme, a Pio XI deverá perder volume rapidamente e retornar a uma posição mais ao norte nas próximas décadas.
O comportamento atípico levou cientistas a organizar uma expedição em dezembro, com o objetivo de coletar dados e projetar o futuro da maior geleira sul-americana em um clima em transformação.
Perguntas e respostas
Ela avança enquanto outras recuam.
Uma morena pode reduzir o derretimento.
Cientistas esperam um recuo intenso no futuro.







