“Fala de homem” e sessão abandonada: ataques a Marina Silva escancaram machismo no Congresso; Veja vídeo

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, voltou a ser alvo de ataques no Congresso Nacional. Durante uma sessão na Câmara nesta terça-feira, diante da bancada ruralista, a ministra enfrentou novas falas de cunho machista e desrespeitoso. Esta é a segunda vez em menos de dois meses que ela passa por situações semelhantes, revelando uma hostilidade persistente contra mulheres em cargos de poder no Brasil.

A reunião, que deveria tratar de temas relacionados à política ambiental do governo, se transformou em um palco de embates ideológicos. Parlamentares ligados ao agronegócio criticaram duramente as diretrizes do Ministério do Meio Ambiente e, em alguns momentos, cruzaram o limite do debate político para ataques pessoais. Termos como “fala de homem” e “treinamento ideológico” foram usados de forma agressiva, direcionados à conduta da ministra.

Sessão marcada por tensão e discursos acalorados

A bancada ruralista, conhecida por sua oposição às pautas de preservação ambiental, fez questionamentos incisivos à ministra. O tom, no entanto, não se manteve técnico. O deputado Evair Vieira (PP-ES) utilizou o termo “adestramento” ao se referir ao posicionamento do governo em relação à proteção da Amazônia. A declaração gerou reações imediatas, com parlamentares de partidos progressistas exigindo respeito à ministra.

Apesar da postura tranquila, Marina precisou interromper sua fala diversas vezes devido às interrupções e gritos. A ministra tentou manter o foco nas questões ambientais, como licenciamento, desmatamento e políticas de fiscalização, mas a sessão terminou marcada por clima de tensão.

Histórico de hostilidade recorrente

Em maio, Marina já havia abandonado uma audiência no Senado após ser hostilizada por senadores da oposição. Na ocasião, ela deixou o plenário ao perceber que não teria espaço para ser ouvida. O episódio gerou forte repercussão na imprensa e entre lideranças políticas, que apontaram machismo estrutural nas abordagens.

Dessa vez, a ministra permaneceu até o fim, mas o novo episódio reforça uma preocupação: a dificuldade das mulheres, especialmente mulheres negras, em exercer cargos de liderança em ambientes hostis.

Ministério e aliados reagem

Após a sessão, membros do governo e parlamentares aliados divulgaram notas de repúdio. A Frente Parlamentar Ambientalista defendeu a ministra e prometeu levar o caso ao Conselho de Ética. Marina ainda não comentou o episódio publicamente.

Perguntas e respostas

O que os deputados disseram contra Marina Silva nesta sessão?
Ela foi alvo de comentários machistas, como o uso do termo “adestramento”.

Esse comportamento já aconteceu antes?
Sim, em maio, Marina abandonou uma sessão no Senado após ser hostilizada.

O governo vai tomar providências?
Parlamentares aliados devem acionar o Conselho de Ética contra os ofensores.

Fabíola Maria Costa Silva

Curtiu? Compartilhe

Ajuda a espalhar a notícia — manda no grupo.

Continue lendo