O pastor Ulisses Batista, conhecido por suas pregações no Bairro Pedra 90, em Cuiabá, e por comandar o programa evangélico “Coração de Deus” na rádio Adorai FM 106,9, foi alvo de duas operações simultâneas na manhã de quinta-feira (20). As ações — “Falso Profeta”, da Polícia Civil, e “Acqua Ilicita”, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) — revelaram que o religioso é, na verdade, um dos líderes de uma das principais facções criminosas em atividade em Mato Grosso.
Ulisses é acusado de chefiar um esquema de extorsão contra comerciantes de Cuiabá e Várzea Grande, movimentando mensalmente cerca de R$ 1,5 milhão. Segundo a Draco (Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado), ele era o mentor e executor da operação criminosa.
Programa de rádio reforçava fachada de santidade
Ulisses também comandava o programa “Coração de Deus” na rádio Adorai FM 106,9. Ele transmitia mensagens bíblicas, músicas e orações ao vivo. Na última live, em setembro de 2024, ele interagiu com ouvintes, leu comentários da própria mãe e respondeu com entusiasmo à audiência. Seguidores pediam orações e elogiavam suas palavras.
O programa contava com convidados e promovia uma imagem de fé e humildade. A investigação aponta que ele usava essa visibilidade para fortalecer sua posição social enquanto organizava ações criminosas nos bastidores.
Pastor usava imagem religiosa para encobrir crimes
Ulisses ocupava o cargo de pastor sênior em uma igreja localizada no Bairro Pedra 90, em Cuiabá. Ele e a esposa apareciam com frequência nas redes sociais promovendo cultos e eventos religiosos. Apesar da forte presença digital, a Polícia não incluiu a esposa como alvo da investigação e não encontrou ligação direta entre a igreja e o esquema criminoso.
As últimas publicações do pastor nas redes sociais mostravam atividades da “Igreja Assembleia de Deus Pentecostal no Coração de Deus”, onde ele realizava cultos e promovia reformas no templo.
Perguntas frequentes
Ele atuava na Igreja Assembleia de Deus Pentecostal no Coração de Deus, no bairro Pedra 90.
Segundo a polícia, o esquema movimentava cerca de R$ 1,5 milhão por mês.
Ele liderava um esquema de extorsão milionário ligado a uma facção criminosa em Mato Grosso.
