Em uma votação simbólica realizada na noite desta terça-feira (26), a Assembleia Nacional da França rejeitou o acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul por 484 votos contra e 70 a favor. Embora a decisão não tenha efeito vinculativo, ela evidencia a oposição unânime dos partidos políticos franceses, desde a extrema-esquerda até a ultradireita, ao tratado.
Deputado francês chama carne brasileira de ‘lix0’ em debate contra acordo UE-Mercosul. pic.twitter.com/vmQmn0qPPy
— perrenguematogrosso (@perrenguemt) November 26, 2024
A rejeição ao acordo UE-Mercosul uniu diversas correntes políticas francesas. Deputados expressaram preocupações sobre a concorrência desleal que produtos sul-americanos, especialmente a carne bovina, poderiam representar para os agricultores locais. Sendo assim, Vincent Trébuchet, deputado do partido União Democrática Republicana (UDR), afirmou: “Nossos agricultores não querem morrer e nossos pratos não são latas de lixo”.
Críticas à carne brasileira
Durante o debate, a carne brasileira foi alvo de críticas severas. Deputados questionaram os padrões de qualidade e segurança dos produtos importados do Mercosul. Além disso, Antoine Vermorel-Marques, dos Republicanos, comparou a tradicional vaca charolesa francesa, “rústica e maternal”, com a mesma raça bovina criada na América do Sul, sugerindo diferenças significativas na qualidade da carne.
Qual o impacto no setor agropecuário francês?
A principal preocupação dos parlamentares reside no impacto que o acordo poderia ter sobre o setor agropecuário francês. A entrada de produtos agrícolas do Mercosul, produzidos sob normas sanitárias e ambientais diferentes das europeias, é vista como uma ameaça à competitividade dos agricultores franceses. Além disso, há receios de que o acordo possa comprometer os compromissos ambientais assumidos pela França, especialmente no que tange ao desmatamento e às mudanças climáticas.
A decisão do parlamento francês repercutiu internacionalmente. No Brasil, representantes do setor agropecuário e autoridades governamentais expressaram preocupação com as declarações dos deputados franceses. Por isso, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, criticou a postura francesa, classificando-a como uma tentativa de minar o acordo comercial entre a UE e o Mercosul.
Qual o posicionamento do governo brasileiro?
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, criticou a postura francesa, classificando-a como uma tentativa de minar o acordo comercial entre a UE e o Mercosul. Então, ele enfatizou que o Brasil segue padrões internacionais de qualidade e sustentabilidade na produção agropecuária.
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, defendeu uma resposta firme do governo e do Congresso brasileiro às críticas francesas. Ele destacou a importância de não minimizar tais ataques e de assegurar respostas proporcionais para combater a desinformação. Assim, Lira também mencionou a expectativa de aprovação de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, apesar das frequentes oposições do governo francês.






