Derrota amarga: MP dos impostos cai na Câmara e governo promete retaliação política contra aliados infiéis; veja vídeo

O governo federal sofreu uma derrota estratégica na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (8), após a Medida Provisória (MP) dos Impostos perder validade por falta de apoio político. A proposta, que buscava aumentar tributos e reforçar a arrecadação, foi retirada de pauta antes mesmo de ser votada no mérito. Com o placar de 251 votos pela retirada e 193 contra, a decisão escancarou o enfraquecimento da base aliada e abriu uma nova crise entre o Palácio do Planalto e o Centrão.

O que previa a MP dos impostos

A Medida Provisória havia sido editada em julho como alternativa a um decreto presidencial que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) — medida que enfrentou resistência política e acabou revogada. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou parcialmente o decreto, mas o governo apostou na MP para consolidar o aumento da arrecadação e evitar um rombo nas contas públicas de 2025.

O texto previa elevar tributos sobre instituições financeiras, apostas on-line e fintechs, com expectativa de arrecadar R$ 30 bilhões. A derrota, portanto, não foi apenas simbólica: ela representa uma perda significativa de recursos para cumprir a meta fiscal.

Bastidores de uma derrota anunciada

A jornalista Marina Franceschini, durante o programa #EmPauta, classificou a votação como “uma derrota pior do que o governo esperava”. Segundo ela, a articulação política falhou em identificar aliados dispostos a sustentar o texto. Deputados do Centrão, insatisfeitos com a distribuição de cargos e verbas, lideraram o movimento pela retirada da pauta.

O Palácio do Planalto, de acordo com Marina, agora prepara uma ofensiva nos bastidores. “O governo vai dobrar a aposta contra o Congresso. Eles perderam a arrecadação, mas não querem perder a disputa política. Vão mapear quem votou contra a MP e cortar cargos desses parlamentares”, afirmou.

A medida já estava no limite do prazo legal: precisava ser aprovada na Câmara e no Senado até esta quinta-feira (9) para não caducar. A derrota, portanto, sela o fim da proposta e deixa o governo em busca de novas fontes de arrecadação para tentar equilibrar o orçamento.

Clima de tensão entre Planalto e Congresso

Nos bastidores, líderes do governo tentam minimizar o impacto político, mas reconhecem que a relação com o Congresso se deteriorou. A base parlamentar segue fragmentada, e partidos que antes compunham a coalizão começam a adotar posturas independentes.

A oposição, por outro lado, comemorou o resultado como uma “vitória contra o aumento de impostos”. O episódio reforça o desafio do Executivo em avançar com pautas fiscais em um cenário de instabilidade e desgaste político.

Enquanto o governo promete “rever apoios” e buscar saídas alternativas, o episódio deixa claro: a disputa entre Planalto e Congresso está longe de terminar.

Perguntas e respostas

Por que a MP dos impostos foi derrubada?
Deputados do Centrão lideraram a retirada de pauta, alegando falta de diálogo e excesso de carga tributária.

Qual era o objetivo principal da medida?
Aumentar a arrecadação do governo com novas taxas sobre bancos, apostas e fintechs.

O governo vai punir os deputados que votaram contra?
Segundo Marina Franceschini, o Planalto pretende mapear os votos e retirar cargos de quem se opôs à proposta.

Fabíola Maria Costa Silva

Curtiu? Compartilhe

Ajuda a espalhar a notícia — manda no grupo.

Continue lendo