A vereadora de Cuiabá, Michelly Alencar, concedeu uma entrevista exclusiva ao Perrengue Mato Grosso para esclarecer detalhes sobre seu novo projeto, que visa oferecer o medicamento Mounjaro, utilizado no tratamento da obesidade, gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas com obesidade grau 2 e 3. A proposta busca combater um dos maiores problemas de saúde pública da capital, que ocupa o quarto lugar no ranking nacional de cidades com maior número de pessoas com sobrepeso.
Mounjaro: muito além de um remédio para emagrecer
Durante a entrevista, Michelly fez questão de deixar claro que o projeto não é apenas uma distribuição de medicamentos, mas sim um programa completo de emagrecimento e reeducação alimentar. “O Mounjaro não é milagre e não é só uma canetinha para emagrecer. Ele faz parte de um programa que inclui acompanhamento médico, nutricional e de educação física”, destacou.
O medicamento, que custa em média R$ 1.800 por mês, será acessível apenas para quem preencher os critérios socioeconômicos e de saúde. Os beneficiários deverão ter Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 35 e renda dentro dos parâmetros que serão definidos. “Queremos oferecer ao pobre o mesmo direito que hoje só os ricos têm. Não é para quem quer perder 4 ou 5 quilos. É para quem tem risco real de morte”, reforçou a vereadora.
Impacto direto na saúde pública de Cuiabá
Segundo dados apresentados por Michelly, a obesidade é uma das principais causas de morte no país. A cada 90 segundos, uma pessoa morre por doenças cardíacas, sendo a obesidade e a hipertensão os fatores mais comuns. “Enquanto estamos aqui conversando, várias pessoas já morreram. Isso precisa acabar”, lamentou.
O projeto prevê inicialmente atender de 250 a 300 pessoas, podendo dobrar esse número, já que o prefeito de Cuiabá decidiu igualar a emenda da vereadora, elevando o orçamento para R$ 2,4 milhões. “Com esse valor, conseguiremos não apenas distribuir o medicamento, mas também criar um centro especializado no combate à obesidade, que ficará localizado onde funcionava a antiga Unic Barão”, explicou.
Esse centro terá academia equipada, nutricionistas, médicos, workshops de culinária saudável e acompanhamento psicológico. “Queremos que Cuiabá vire referência em qualidade de vida. Uma cidade em que os parques estejam cheios de pessoas se exercitando, onde os idosos sejam ativos e as crianças cresçam sem desenvolver obesidade”, afirmou.
Desafios e superação no caminho da proposta
A implementação do projeto não foi simples. Segundo Michelly , a primeira barreira foi a regulamentação do Mounjaro pela Anvisa, que aconteceu apenas semanas antes da formalização da proposta. A segunda dificuldade foi orçamentária. “A gestão passada deixou um rombo gigantesco, e muitas empresas se recusam a fornecer medicamentos enquanto a prefeitura não quitar dívidas antigas”, pontuou.
Mesmo assim, a vereadora destinou metade de suas emendas parlamentares, R$ 1,2 milhão, para garantir o início do programa. O prefeito, diante do sucesso da iniciativa, dobrou o valor com recursos próprios do município. Além disso, a perspectiva é que, a partir de agosto, com a saída do decreto de calamidade econômica, a cidade consiga ampliar ainda mais o alcance desse e de outros programas.
Michelle também revelou que o programa será contínuo. “Após os cinco meses iniciais de tratamento, faremos uma reavaliação. Se a pessoa ainda não alcançou o peso ideal, ela poderá continuar no programa”, explicou.
Diabetes fica de fora, por enquanto
Questionada sobre a possibilidade de expandir o fornecimento do Mounjaro para pacientes com diabetes tipo 2, que é uma das indicações oficiais do medicamento, Michelly foi clara. “Neste momento, não. Nosso foco é combater a obesidade. Para diabetes, o SUS já oferece tratamento completo nas unidades básicas, com medicações e insumos específicos, como fitas de medição e medicamentos de controle”, disse.
No entanto, ela não descarta a possibilidade de que futuramente esse debate seja retomado, desde que haja equilíbrio financeiro no município e o programa de obesidade esteja consolidado.
O projeto mais marcante da sua carreira
Ao ser questionada sobre qual projeto mais marcou sua carreira como vereadora, Michelly não titubeou. “Sem dúvidas, esse. Porque estamos mexendo com algo que vai mudar vidas, famílias e gerações. Não é só emagrecer. É salvar vidas. É prevenir infarto, diabetes, AVC, câncer e uma série de doenças associadas à obesidade”, destacou emocionada.
A vereadora também revelou planos ainda mais ambiciosos. Ela quer transformar os parques de Cuiabá em centros ativos de promoção à saúde, com profissionais de educação física disponíveis, academias funcionais, grupos de caminhada e programas específicos para idosos, jovens e crianças.
“Queremos uma cidade em que se respire saúde, em que as pessoas se sintam motivadas a cuidar de si, sem depender exclusivamente de hospitais e remédios”, concluiu.
Perguntas e respostas
Qualquer pessoa pode receber o Mounjaro de graça?
Não. É necessário ter IMC acima de 35 e se enquadrar no critério de renda a ser estabelecido.
O programa é só tomar o remédio?
Não. Inclui acompanhamento médico, nutricional e de atividade física, com foco na mudança de estilo de vida.
Quando começa?
O programa começa assim que finalizarem os trâmites de compra do medicamento e estruturação do centro especializado, com previsão ainda para este ano.



