O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, fez um alerta contundente nesta segunda-feira (23) sobre os riscos dos conflitos no Oriente Médio se espalharem para outras regiões do mundo. Durante entrevista à GloboNews, o diplomata afirmou que as guerras atuais têm um “potencial enorme de alastramento” e representam uma ameaça direta à estabilidade internacional.
Segundo Amorim, a escalada militar envolvendo Estados Unidos, Irã, Israel e outros atores já não pode mais ser considerada um conflito localizado, mas sim um movimento que tende a interligar outros focos de tensão globais.
“A ordem mundial acabou”, diz Amorim
Em tom de preocupação, Amorim declarou que a ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra Mundial “acabou”. Para ele, os princípios que garantiam a segurança internacional, baseados na Carta da ONU e no direito internacional, estão sendo sistematicamente violados.

Ele também lembrou que o Brasil já teve papel de destaque em negociações envolvendo o Irã, como no acordo mediado junto com a Turquia durante o governo Lula, em resposta a um pedido do então presidente Barack Obama. Contudo, lamentou que atualmente iniciativas diplomáticas como essa estejam sendo ignoradas pelas potências globais.
Risco real de uma guerra de grandes proporções
Amorim alertou que os bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra instalações nucleares no Irã, somados às ações de Israel, podem gerar uma reação em cadeia. “Não é mais uma guerra localizada. É um conflito que pode envolver um número muito grande de países”, afirmou.
Apesar de dizer não acreditar em uma guerra nuclear, o assessor ressaltou que a complexidade do cenário atual exige uma mobilização urgente da comunidade internacional. Ele destacou ainda a necessidade de os BRICS, que agora incluem o Irã, assumirem um papel ativo na construção de uma nova governança global.
O apelo pela diplomacia e pelo direito internacional
Para Amorim, além da tragédia humanitária em curso, há uma crise gravíssima no sistema internacional. Ele defende que só uma mobilização diplomática forte, com respeito às regras internacionais e diálogo multilateral, poderá conter a escalada do conflito e impedir danos irreversíveis à humanidade.
Perguntas e respostas
O que Celso Amorim quis dizer com “a ordem mundial acabou”?
Que as regras internacionais, como a Carta da ONU, estão sendo sistematicamente desrespeitadas.
Existe risco de guerra nuclear?
Segundo Amorim, o risco não é nuclear, mas o conflito pode se espalhar para diversos países.
Qual o papel do Brasil nesse cenário?
Amorim acredita que o Brasil, junto aos BRICS, pode liderar uma articulação diplomática para frear a crise.



