A senadora Soraya Thronicke (Podemos/MS) criticou fortemente, no Senado, a encenação que o senador Eduardo Girão (Novo/CE) promoveu sobre o projeto de lei 1904/24, conhecido como PL do Aborto. O projeto pretende proibir todas as formas de aborto, inclusive as atualmente permitidas por lei, como nos casos de estupro, anencefalia e risco de vida para a gestante.
A dramatização controversa marcou a sessão do Senado. Convidaram a atriz Nyedja Gennari para encenar um feto sendo abortado, incluindo gritos que simulavam um pedido para não ser abortado. Parlamentares bolsonaristas, como Marcos Rogério (PL-RO) e Damares Alves (Republicanos-DF), aplaudiram a performance.
Resposta de Soraya Thronicke
No dia seguinte à encenação, Soraya Thronicke pronunciou-se de forma contundente no plenário. Ela questionou a lógica do projeto, argumentando que penaliza apenas mulheres e médicos, sem punir os homens que participam do processo de aborto. Além disso, Thronicke também provocou os parlamentares, perguntando se eles enviariam suas próprias filhas para a prisão em casos de gravidez resultante de estupro.
Thronicke classificou a encenação como “vergonhosa” e um exemplo de “fundamentalismo” que tenta impor crenças religiosas pessoais sobre as liberdades individuais. Ela destacou que o Estado é laico e que a legislação atual já trata o aborto como crime, porém sem penalizar as mulheres em situações extremas. Ademais, a senadora criticou a falta de debates sobre o tema durante o governo Bolsonaro, sugerindo que a atual pressão para aprovar o PL é uma manobra política.
Conclusão
Em síntese, o debate sobre o PL do Aborto no Senado evidenciou a polarização e a necessidade de uma abordagem sensata e empática. A resposta vigorosa de Soraya Thronicke ressaltou as inconsistências e a hipocrisia na regulamentação dos corpos femininos, destacando a importância de um debate sem ideologias extremas e com respeito.







