Soraya Tronicke critica encenação sobre aborto no Senado; veja vídeo

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A senadora por Mato Grosso do Sul, Soraya Tronicke (Podemos), criticou uma encenação sobre aborto realizada no Senado Federal na última segunda-feira (17). Embora se declare contra o aborto, Tronicke expressou seu descontentamento com a performance da atriz Nyedja Gennari, que encenou uma peça antiaborto durante um debate sobre o tema, transmitida ao vivo pela TV Senado.

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Durante seu discurso na tribuna na terça-feira (18), Tronicke desafiou a atriz a realizar uma cena de estupro no plenário. Ela afirmou: “Quero ver ela encenando a filha, a neta, a mãe, a avó, a esposa de um parlamentar sendo estuprada”. A encenação de Gennari gerou repercussões negativas e críticas de diversos setores, incluindo da própria senadora. Portanto, a reação de Tronicke trouxe à tona um debate acirrado sobre os limites das manifestações artísticas em ambientes políticos.

Soraya Tronicke destacou que, apesar de não apoiar o aborto, ela é contra a punição severa de mulheres em casos específicos. Ela escreveu: “Não sou a favor do aborto, mas não podemos permitir que mulheres e meninas paguem 20 anos de prisão por escolherem não carregar um filho oriundo de estupro; por não carregar um bebê que sofrerá com uma doença avassaladora até a morte; e por não carregar um bebê que pode resultar na perda de sua própria vida”. Dessa forma, Tronicke busca um equilíbrio entre sua posição pessoal e as necessidades de situações extremas enfrentadas por algumas mulheres.

Detalhes do projeto de lei

O Projeto de Lei 1904/24, atualmente em discussão, propõe equiparar o aborto realizado após 22 semanas de gestação ao homicídio, aumentando a pena máxima para 20 anos. Hoje, a lei brasileira permite o aborto em casos de estupro, risco de vida para a mulher e anencefalia fetal, sem especificar um tempo máximo de gestação. Além disso, o projeto visa estabelecer um limite claro de 22 semanas para abortos legais, o que intensificou ainda mais o debate.

Se aprovado, o projeto resultará em penas mais severas para as mulheres que abortarem em situações de estupro do que para os próprios estupradores, cuja pena é de dez anos de prisão. O projeto conta com 32 autores, incluindo 12 mulheres e o deputado Luiz Ovando (PP) de Mato Grosso do Sul. Portanto, a proposta legislativa traz implicações significativas para a legislação atual e levanta questões importantes sobre justiça e proporcionalidade das penas​.

Soraya Tronicke continua a chamar a atenção para a necessidade de discutir a questão do aborto de maneira sensível e justa, evitando a punição excessiva de mulheres em situações desesperadoras. A controvérsia em torno da encenação e do projeto de lei reflete a complexidade e a polarização do debate sobre o aborto no Brasil.

Fabio Olavarria

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