Padre propõe acordo de R$ 30 mil com “garoto” para abafar escândalo; ouça áudios

Audios vazados mostram o religioso orientando o jovem como agir

Em áudios vazados em aplicativo de conversa, nesta terça-feira (9), o padre Denis Lucati Silvero, de 34 anos, da Paróquia Nossa Senhora Caravaggio, em Primaveira do Leste (231 km de Cuiabá), orienta o artista de rua Luiz Gabriel da Silva Monteiro Valente, de 20 anos, que o acusa de assédio sexual, a dizer que as acusações de cunho sexual e de maus-tratos após promessa de trabalho, teriam sido sido feitas num momento de raiva. O religioso revela que os dois firmaram um contrato, onde Denis pagaria R$ 30 mil pelo silêncio do artista.

O vigário registrou um boletim de ocorrência afirmando que estaria sendo vítima de ameaças extorsão, mas posteriormente foi acusado por Luiz Gabriel de assédio sexual. Com a repercussão do caso, incluindo um vídeo de 7 minutos onde Luiz Gabril expõe a sua versão, o padre tentou fazer um acordo financeiro para ele desmentir tudo. Porém, os áudios dessa negociação foram vazados.

“As pessoas agora estão preocupadas em relação a processo e tudo isso. Eu já estou redigindo contrato, já está tudo ok, e vou cumprir meu acordo de pagar os R$ 30 mil o que eu gostaria agora? É que você fizesse um áudio, pedindo desculpas a todo mundo que tenha visto o áudio”, diz o religioso em novos áudios que circulam nas redes sociais.

Ainda, ele afirma que a vítima estaria chateada com o religioso por causa de uma questão trabalhista e que eles deveriam agir rápido para minimizar os danos feitos a reputação e honra do padre. “O turbilhão já aconteceu e eu preciso diminuir isso”, frisa o vigário em um trecho divulgado.

Denis também pede ao artista que não revele no vídeo a ser gravado sobre o acordo entre os dois e que o contrato já estaria terminado e prestes a ser enviado para que fulano tenha sua cópia em mãos. “O contrato, ele já está terminando agora. Mas, você não vai falar no vídeo que a gente fez um contrato nada disso é obvio. Já vou te mandar o contrato porque ele vai ficar nas suas mãos”, explicou.

ENTENDA O CASO

A polêmica envolvendo o sacerdote e o artista começou no final de semana, quando o religioso registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil contra um homem que estaria o extorquindo e o ameaçando por supostamente estar na posse de vídeos e fotos íntimas do padre e estaria pedindo R$ 100 mil para não os divulgar.

Segundo boletim de ocorrência, registrado no último sábado (6), o padre teria confrontado o suspeito pedindo as tais fotos e vídeos frisando que “inexiste” qualquer documento ou arquivo autorizando a sua divulgação comunicando ainda que não efetuaria o pagamento e que bloquearia o telefone.

O teor das supostas fotos e vídeos não é mencionado pelo religioso no documento policial. No entanto, o homem apontado como autor da tentativa de extorsão contra o padre é divulgado no boletim de ocorrência, incluindo seu endereço e documentos como RG e CPF.

Mais tarde, o suspeito entrou em contato com o “bispo” pedindo o valor R$ 20 mil para não divulgar algumas imagens, áudios e vídeos que envolvem o padre Denis. O bispo, que não tem o nome divulgado no documento policial, também teria pedido que o suspeito encaminhasse os conteúdos, mas houve recusa.

Os arquivos também não foram enviados sob o argumento de que só seriam enviados após o pagamento dos valores exigidos. Ainda conforme o boletim, o bispo identificou que trataria de um crime digital com extorsão e bloqueou o contato do suspeito que por sua vez ainda teria disseminado em grupos de WhatsApp áudios que “manchavam” a imagem do padre Denis e que o criminoso teria tentando um acordo para o pagamento de R$ 50 mil e depois pediu R$ 30 mil e que se não fosse feito o pagamento o conteúdo das imagens seria levado a público.

A coisa muda de figura quando Gabriel, o suposto suspeito, se manifesta e traz à tona que, na realidade, teria sido assediado pelo padre, de acordo com ele. Ele é artista de rua e natural de Porto de Galinhas (Pernambuco) e gravou um vídeo relatando o suposto crime atribuído ao religioso.

Segundo ele, o padre Denis fez uma proposta de trabalho em Primavera do Leste, para trabalhar na Paróquia Nossa Senhora do Carávaggio com salário de R$ 2,5 mil. Afirma que quando não caiu nas investidas do padre, sua vida dele virou um inferno.

“Recebi uma proposta (a proposta foi feita quando Denis passou férias em Pernambuco). Na intenção de trabalhar, tirar minha habitação, fazer meu curso de tatuagem. Área que eu tanto sonho e almejo para poder trabalhar. Não quero nada de ninguém. Sempre fui muito honesto, verdadeiro. Eu fui nessa intenção de trabalhar. Tenho filho autista. Tive a oportunidade. Me disse que lá eu ia ter uma vida de príncipe, uma vida boa. Vida boa que eu falo é trabalhando comendo bem e para futuramente proporcionar para o meu filho. Minha mãe ficou com medo, mas eu falei que ele era padre, que podia confiar”, relatou no vídeo.

Ainda de acordo com o jovem, chegando na residência do padre, ele se deparou com dois outros jovens que dormiam lá. No entanto, essa informação era proibida de ser repassada. Gabriel relata ainda que o padre Denis Lucati o convidou para dormir na cama dele logo no primeiro dia de estadia.

O jovem disse que titubeou no início, mas acabou dormindo. No amanhecer, contudo, se assusta ao sentir as mãos do religioso tocando suas partes íntimas. “E no primeiro dia, eu já acordei com ele me alisando nas partes íntimas. Fiquei muito desconfortável. Levantei na hora e fui para sala”, emendou.

Após a convivência ter se tornado insustentável com o padre, o jovem diz que retornou para Pernambuco, com uma mão na frente e outra trás. Disse que o padre não pagou os dias trabalhados e não assinou sua carteira. O jovem ainda afirma que o padre tentou comprar o silêncio dele após Gabriel divulgar um áudio contanto a história.

“Chegando aqui… minha mãe desesperada. Comecei a desabar, lembrando das coisas. Eu depois que eu falei com um advogado, eu tentei falar com ele. Ele me bloqueou. Falei com outra pessoa também, o bispo. Divulguei o áudio. Ele me pediu para apagar. A advogada falou para eu cessar e apagar. Eu apaguei para mostrar para ver até onde ele ia, porque eu não quero dinheiro assim. Não quero nada de ninguém, principalmente, dos amados da igreja. Me ofereceram esses R$ 30 mil. Eu tenho todas as provas. Ele assumiu tudo o que ele fez e ainda tentou me comprar para eu ficar calado. Esse assédio sexual…eu tenho todos os áudios aqui. Ele falou até pelo amor de Deus”, contou Gabriel no vídeo.

Após a repercussão negativa, a Paróquia Nossa Senhora do Caravaggio, de Primavera do Leste, publicou nota dizendo que o padre se afastaria do sacerdócio por um período. “Diante dos fatos ocorridos, informamos que a partir de amanhã, a pedido do padre diocesano o padre irá se ausentar de suas atividades por tempo determinado, porém as programações da paróquia continuam normais. O padre também informa que, em razão dos últimos acontecimentos, já registrou Boletim de Ocorrência, portanto, agora é necessário aguardar. Rezemos porque tudo irá se resolver e este é um bom momento de todos crescermos juntos”, traz a nota. 

OUÇA

Via Folha Max

Gabriel

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