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Cinquenta e cinco trabalhadores foram resgatados em situação análoga à escravidão durante uma operação realizada na quinta e na sexta-feira (23 e 24), no município de Cezarina, em Goiás. O grupo, composto por 46 homens e nove mulheres, trabalhava na extração de palhas de milho para a produção de cigarros. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as vítimas saíram da Bahia e de Minas Gerais após receberem a promessa de que poderiam ganhar entre R$ 6 mil e R$ 10 mil por mês. No entanto, encontraram uma realidade marcada por condições degradantes, pagamentos atrasados e dificuldades para deixar o local.
Promessa não saiu do papel
Os auditores fiscais constataram que os trabalhadores permaneceram aproximadamente 50 dias à disposição do empregador, mas trabalharam apenas 10 dias. Nos demais períodos, eles receberiam apenas o valor proporcional a um salário mínimo, atualmente de R$ 1.621, muito abaixo da remuneração prometida.
Além disso, o empregador deixou de cumprir o cronograma de pagamentos, que deveria ocorrer a cada 15 dias. A situação provocou revolta entre os trabalhadores, que passaram a buscar uma forma de retornar para casa.
Fiscalização encontrou cenário degradante
Durante a inspeção, as equipes verificaram que os trabalhadores não tinham acesso a um espaço adequado para realizar as refeições nem recebiam água potável durante a jornada de trabalho. As condições encontradas foram classificadas como degradantes pelos órgãos responsáveis pela operação.
A fiscalização também descobriu que o grupo inicialmente recrutado era formado por cerca de 150 pessoas. Muitos desistiram e deixaram o local antes da chegada das equipes, mesmo sem receber o dinheiro devido. Os 55 resgatados permaneceram porque não tinham recursos para custear a viagem de volta.
Empregador abandonou trabalhadores
Mesmo após o resgate, o empregador não pagou as verbas rescisórias nem providenciou o retorno das vítimas aos estados de origem. Diante da omissão, o Ministério do Trabalho adquiriu as passagens para que os trabalhadores embarcassem na Rodoviária de Goiânia rumo às cidades da Bahia e de Minas Gerais.
A operação reuniu auditores do Ministério do Trabalho e Emprego, integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), policiais militares de Goiás (PM-GO) e equipes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Goiás (Seds). Os órgãos seguem adotando as medidas cabíveis para responsabilizar o empregador pelas irregularidades identificadas e garantir os direitos dos trabalhadores resgatados.
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