O ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera Mano Filho avaliou que o agronegócio brasileiro segue distante do governo federal e demonstrou insatisfação com medidas adotadas nos últimos anos. Segundo ele, apesar do discurso oficial de diálogo, ações concretas não têm sido percebidas pelo setor como favoráveis aos produtores rurais. A análise foi feita ao comentar a atual condução do Ministério da Agricultura.
Na avaliação de Cabrera, o distanciamento não é pontual, mas reflete um conjunto de decisões que geraram insegurança no campo. Para o ex-ministro, o agronegócio, responsável por parcela expressiva do Produto Interno Bruto e das exportações brasileiras, esperava uma relação mais próxima e previsível com o governo federal.
Avaliação da gestão no Ministério da Agricultura
Ao comentar a atuação do atual ministro Carlos Fávaro, Cabrera afirmou reconhecer a boa intenção do gestor e sua disposição ao diálogo institucional. No entanto, destacou que essa postura não se traduziu, na prática, em maior aproximação com os produtores rurais e entidades representativas do setor.
Segundo o ex-ministro, há uma percepção de que decisões estratégicas vêm sendo tomadas sem o devido alinhamento com quem atua diretamente na produção. Esse cenário, na visão dele, dificulta a construção de confiança entre o governo federal e o agronegócio.
Medidas que geraram insatisfação no setor
Entre os principais pontos criticados por Cabrera está a inclusão de espécies produtivas, como eucalipto e tilápia, na lista de exóticas invasoras. Para representantes do agro, esse tipo de classificação pode gerar insegurança jurídica, impactar investimentos e afetar cadeias produtivas consolidadas em diversas regiões do país.
Além disso, o ex-ministro mencionou debates em torno do marco temporal e propostas de aumento de impostos como fatores que ampliam o desconforto do setor. Segundo ele, mesmo quando apresentados como temas em discussão, esses assuntos geram apreensão entre produtores, que dependem de estabilidade regulatória para planejar suas atividades.
Discurso de diálogo versus percepção no campo
Cabrera destacou que existe uma diferença entre o discurso institucional e a percepção prática do agronegócio. Para ele, embora o governo federal afirme buscar diálogo, as ações adotadas não têm sido interpretadas como alinhadas aos interesses do setor produtivo.
O ex-ministro afirmou que o agro espera políticas públicas que conciliem sustentabilidade ambiental, segurança jurídica e estímulo à produção. Na avaliação dele, sem esse equilíbrio, a relação tende a permanecer distante, mesmo com canais formais de conversa abertos.
Um setor estratégico em busca de previsibilidade
O agronegócio brasileiro segue como um dos pilares da economia nacional, com forte impacto no emprego, na balança comercial e no desenvolvimento regional. Nesse contexto, análises como a de Cabrera refletem preocupações recorrentes entre lideranças do setor, que defendem maior previsibilidade e diálogo efetivo com o governo federal.
Perguntas e respostas:
O que Antonio Cabrera critica na relação entre agro e governo?
O distanciamento e medidas consideradas contrárias aos interesses do setor.
Como ele avalia o ministro Carlos Fávaro?
Reconhece boa intenção, mas aponta falta de aproximação com os produtores.
Quais temas geraram mais insatisfação no agro?
A lista de espécies exóticas invasoras, o marco temporal e debates sobre impostos.




