Durante a COP30, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um discurso contundente ao participar de uma mesa-redonda sobre transição energética. O líder global destacou que o planeta vive um ponto crítico na luta contra a crise climática e afirmou que “apostar nos combustíveis fósseis é apostar contra a humanidade – e contra as economias”. Suas declarações reforçaram o tom de urgência da conferência, que ocorre em meio ao aumento recorde das emissões globais e à pressão por ações concretas dos governos.
Energia limpa em ascensão, mas ainda desigual
Segundo Guterres, a transição para energias limpas já não é mais uma escolha, mas uma necessidade. Ele destacou que fontes como solar e eólica estão se tornando mais baratas, eficientes e acessíveis, superando o desempenho de combustíveis fósseis em vários setores. Entretanto, alertou que a dependência de carvão, petróleo e gás ainda domina as políticas energéticas globais.
“Os combustíveis fósseis continuam recebendo subsídios bilionários pagos com o dinheiro dos contribuintes. Isso é falta de visão, e também autodestrutivo”, declarou. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) mostram que, em 2023, os subsídios a combustíveis fósseis ultrapassaram US$ 1 trilhão, enquanto investimentos em energia limpa ainda são desiguais, especialmente em países em desenvolvimento.
Desafios da transição e pressão política
A fala de Guterres ocorre em um momento de tensão entre as promessas ambientais e os interesses econômicos. Muitos países ainda enfrentam resistência interna para abandonar fontes poluentes, alegando impactos sociais e perda de empregos. Para o secretário-geral, a transição energética precisa ser justa, garantindo oportunidades e suporte financeiro às nações mais vulneráveis.
“Precisamos de uma transformação que seja socialmente responsável e economicamente inteligente. Continuar presos ao passado energético é condenar o futuro das próximas gerações”, afirmou. Ele também pediu que os governos eliminem gradualmente os subsídios aos combustíveis fósseis e acelerem investimentos em tecnologias sustentáveis.
O papel do Brasil e o foco da COP30
Com a COP30 sediada em Belém, o Brasil assume um papel central nas discussões climáticas. O país é visto como protagonista na transição energética por sua matriz relativamente limpa e pela capacidade de expandir fontes renováveis, como a bioenergia e a solar. No entanto, o desmatamento e a exploração de petróleo ainda colocam o país sob escrutínio internacional.
A fala de Guterres foi recebida com aplausos e reforçou o tom de cobrança que vem marcando as últimas conferências do clima. Ele encerrou lembrando que “a janela para limitar o aquecimento global a 1,5 °C está se fechando rapidamente — e o tempo de agir é agora”.
Perguntas e respostas
Por que António Guterres criticou os combustíveis fósseis?
Porque eles continuam recebendo altos subsídios públicos, mesmo sendo os principais responsáveis pelas mudanças climáticas.
O que ele quis dizer ao afirmar que isso é “autodestrutivo”?
Que manter a dependência de fontes poluentes prejudica não apenas o meio ambiente, mas também as economias e o bem-estar humano.
Qual o papel do Brasil na COP30?
O país é visto como líder potencial na transição energética, mas enfrenta o desafio de equilibrar expansão sustentável e exploração de petróleo.



