João Batista Vieira dos Santos, apontado pela Polícia Civil como líder do Comando Vermelho em Mato Grosso, chegou a Cuiabá nesta quarta-feira (30) após autoridades brasileiras o prenderem no Paraguai. A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) coordenou a transferência com apoio da Polícia Penal de Foz do Iguaçu.
As forças de segurança prenderam João Batista no início de setembro, quando ele apresentou um documento falso durante a abordagem. O investigado estava foragido da Justiça e usava documentos falsificados para esconder sua identidade. Um vídeo mostra o momento em que os agentes transferem o suspeito para Mato Grosso.
Agora, João Batista passará por exame de sanidade mental em Cuiabá. A avaliação deverá fornecer informações técnicas para o processo judicial. A Justiça analisará o resultado junto com outros elementos reunidos pelas autoridades durante as investigações.
Investigado já usava documento falso em Mato Grosso
A Polícia Civil identificou outra ocorrência envolvendo documentação falsa em fevereiro de 2023. Naquele período, policiais localizaram João Batista em Pontes e Lacerda e descobriram que ele utilizava um documento público falsificado.
O Código Penal prevê punições para quem falsifica ou utiliza documento público falso. As autoridades ainda precisam individualizar a conduta e apresentar as provas correspondentes para que a Justiça defina eventual responsabilidade criminal.
A polícia também investiga a atuação do suspeito em diferentes atividades atribuídas à organização criminosa. Entre os casos estão uma apreensão de drogas, uma investigação sobre um túnel e um esquema de raspadinhas.
Polícia apreendeu quase duas toneladas de maconha
Em outubro de 2025, equipes da GCCO e da Draco apreenderam quase duas toneladas de maconha em uma chácara vinculada ao investigado. A operação também levou os policiais a prenderem quatro pessoas.
A investigação passou a analisar a relação entre o imóvel, os suspeitos presos e João Batista. As autoridades reuniram informações para verificar a participação de cada investigado na estrutura criminosa e na movimentação dos entorpecentes.
A apuração sobre o tráfico de drogas pode envolver a Lei nº 11.343/2006, que estabelece crimes e penas relacionados ao comércio e à distribuição de entorpecentes. A Justiça definirá a responsabilidade de cada envolvido conforme as provas apresentadas.
Investigação apurou túnel de 257 metros em Cuiabá
Em 2022, as autoridades investigaram João Batista por uma possível participação na construção de um túnel de aproximadamente 257 metros em Cuiabá. Os responsáveis começaram a escavação dentro de uma residência e direcionaram a estrutura para a Penitenciária Central do Estado (PCE).
Segundo a investigação, os envolvidos pretendiam usar o túnel para retirar integrantes de uma facção que permaneciam presos na unidade. As equipes de segurança identificaram a estrutura e passaram a investigar as pessoas envolvidas no planejamento.
A investigação também relacionou João Batista a um roubo contra instituição financeira realizado na modalidade conhecida como “Novo Cangaço”. As autoridades analisaram a possível participação dele no planejamento e na execução das ações.
Polícia investigou esquema de raspadinhas
A GCCO e a Draco também investigaram a participação de João Batista na administração de recursos ligados ao esquema chamado “Raspa Brasil Nacional”. Segundo os investigadores, ele coordenava atividades no estado e estabelecia orientações financeiras para integrantes envolvidos na operação.
Os investigadores registraram João Batista transportando banners e materiais usados na divulgação das raspadinhas. Durante a análise de celulares, as equipes também encontraram videochamadas e mensagens trocadas com outros integrantes apontados como responsáveis pelo funcionamento do esquema.
A investigação identificou ainda cobranças por planilhas com dados de estabelecimentos comerciais, quantidade de bilhetes distribuídos, valores arrecadados e percentuais de repasse. Segundo a polícia, os responsáveis acionavam a chamada “disciplina” da facção quando alguém descumpria as determinações.
Investigado deixou Mato Grosso e seguiu para o Paraguai
Depois de deixar Mato Grosso, João Batista permaneceu durante um período no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, ele manteve contato com integrantes da facção durante a permanência no estado. Depois, o investigado deixou o Brasil e seguiu para o Paraguai.
As autoridades localizaram João Batista após reunir informações sobre o paradeiro dele fora do país. A operação contou com a atuação da GCCO e recebeu apoio da Polícia Penal de Foz do Iguaçu para concluir a transferência ao território brasileiro.
Durante o período em que permaneceu foragido, João Batista também publicou conteúdos nas redes sociais utilizando identidades falsas. As autoridades analisaram essas publicações para acompanhar os deslocamentos e identificar possíveis conexões do investigado.
Redes sociais mostraram rotina durante período como foragido
Em fevereiro de 2026, João Batista publicou imagens feitas no Rio de Janeiro ao lado de uma mulher que possuía cinco mandados de prisão em aberto. Em outra publicação, ele apareceu segurando uma arma com características semelhantes às de um fuzil.
As autoridades também encontraram publicações relacionadas a atividades físicas, bares e outros momentos da rotina do investigado. A Polícia Civil analisou os conteúdos para reunir informações sobre os locais frequentados e os contatos mantidos durante o período em que ele permaneceu fora do alcance das autoridades.
Com a prisão e a transferência para Cuiabá, João Batista permanece à disposição da Justiça. O exame de sanidade mental deverá integrar os procedimentos judiciais relacionados ao caso, enquanto as autoridades continuam reunindo elementos sobre os crimes investigados.
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