Um vídeo gravado durante a visita de Luciano Huck e Anitta à aldeia Ipatse Kuikuro, no Território Indígena do Xingu, em Mato Grosso, tomou conta das redes sociais nesta semana. Na gravação, o apresentador pede que os indígenas escondam os celulares e evitem roupas “comuns” antes de uma fotografia em grupo.
O registro mostra Huck ao lado de uma liderança indígena dizendo:
“Quanto mais celular de vocês aparece, eu acho que menos é a cultura de vocês. […] Quando tiver gravando, se vocês puderem ‘segurar’ o celular, eu acho que, quem tiver que ver, valoriza mais vocês.”
A gravação ocorreu em agosto, como parte do programa Domingão com Huck, mas só ganhou repercussão em 4 de dezembro, quando trechos do vídeo viralizaram nas redes sociais. Usuários acusaram o apresentador de estereotipar os indígenas e de reforçar uma visão antiquada da cultura dos povos originários.
Huck se pronuncia e nega imposição cultural
Após a repercussão negativa, Luciano Huck divulgou uma nota para esclarecer o episódio. Segundo ele, a sugestão de esconder os celulares partiu da direção de arte do programa, não dele pessoalmente.
“Não impus qualquer limitação cultural ou de consumo. A decisão foi um ajuste pontual de direção de arte no contexto do set de filmagem”, afirmou.
Huck ainda ressaltou que respeita profundamente os povos indígenas:
“Sempre defendi que as escolhas sobre modos de vida, tradições e caminhos pertencem única e exclusivamente a eles.”
Indígenas usam tecnologia para fortalecer identidade
A polêmica acendeu um debate antigo: o indígena pode usar celular e continuar sendo indígena? Para especialistas, sim. Os povos originários vivem realidades dinâmicas, mesclando tradições ancestrais com ferramentas modernas.
Hoje, mais de 60% das aldeias têm acesso à internet, segundo o Censo 2022 do IBGE. Grupos como o Mídia Índia usam redes sociais para produzir conteúdo próprio, denunciar injustiças e afirmar suas identidades.
Perguntas frequentes
Sim, em vídeo que circula na web, ele pede que os celulares não apareçam durante a gravação.
Porque a fala dele foi vista como tentativa de controlar como os indígenas devem se apresentar, reforçando estereótipos.
Sim. O uso de tecnologia não apaga a identidade indígena — ela evolui com o tempo e contexto.



