A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) abriu uma sindicância para apurar a conduta de um agente penitenciário que agrediu a tapas o entregador Yuri Moraes de Araújo, de 21 anos, da empresa iFood, nesta terça-feira (21), em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.
A agressão aconteceu depois que o entregador pediu o código do cliente e informou que não poderia subir até o local onde ele mora. O homem, identificado como Alex Ramos Cabral, se irritou e deu um tapa no rosto da vítima.
Toda a confusão foi gravada pelo entregador.
A gravação dura 38 segundos. Nela, é possível ver o agente questionando o jovem: “tá pensando que tá falando com quem?”. O jovem responde dizendo que “não estava falando com ninguém.”
Em seguida, o agente reclama que o entregador não deixou o lanche na sua porta.
“Tu tá sentado aqui embaixo um tempão, rapá. Você não recebe essa po*** para tu subi lá?”, pergunta.
“Não. Está escrito no iFood que não é para subir”, reponde o trabalhador com uma mochila nas costas. Em seguida, ele leva um tapa no rosto.
“Subir é o cara***. Me dá essa po***, aí”, retruca o agressor.
No vídeo é possível ouvir que uma pessoa pede que o agente tenha calma.
O entregador repete que precisa do código do cliente para a entrega dos lanches.
O homem, então, diz para o jovem se apressar: “Anda logo, antes que eu me estresse mais contigo.”
Em seguida, a gravação é interrompida e não fica claro o que aconteceu depois.
De acordo com o delegado Vilson de Almeida Silva, titular da 35ª DP, o caso foi registrado na distrital e a vítima está sendo ouvida na manhã desta quarta-feira (22). O policial penal também será ouvido nesta quarta.
“Estamos finalizando o termo circunstanciado e o motoboy será encaminhado para fazer exame de corpo de delito. Em seguida, o inquérito será enviado para o Jecrim (Juizado Especial Criminal)”, informou o delegado ao g1.
Manifestação no condomínio
Ao saber da agressão, colegas do entregador e alguns moradores foram até a porta do condomínio onde o agente mora e fizeram um buzinaço.
A Polícia Militar foi acionada.
Imagens de celular mostraram que houve uma confusão entre os manifestantes e pelo menos dois PMs. Na gravação escuta-se uma pessoa pedindo calma e, em seguida um homem, que segundo os moradores eram um policial militar, grita exigindo que as pessoas deixem o local para não apanhar.
“Mete o pé, po***. Mete o pé, car****”, diz o homem.
Durante a noite, mesmo sob forte chuva que atingiu a Zona Oeste, mototaxistas, entregadores e populares fizeram uma manifestação em frente ao condomínio onde o agente mora. A PM acompanhou o protesto, que transcorreu pacificamente.
O que dizem os citados
O g1 tenta contato com o agente penitenciário.
Procurada, a Seap disse que “repudia qualquer desvio de conduta de seus servidores e informa que já determinou abertura de procedimento disciplinar através da corregedoria para apurar o ocorrido.”
No entanto, a pasta não informou onde é lotado o servidor, há quanto tempo ele está no estado e nem se ele será afastado das funções durante o processo disciplinar.
A PM informou que homens do 40° BPM (Campo Grande) foram acionados para “um princípio de tumulto” na Estrada do Magarça, em Campo Grande. Disse ainda que “instaurou um procedimento interno para avaliar a conduta dos policiais que atenderam a ocorrência” (veja a nota completa mais abaixo).
Procurada, a plataforma iFood informou que “a conta do agressor foi identificada e banida da plataforma”. E que não há exigência de entrega diretamente no apartamento de clientes “por entender que há variáveis como regras do condomínio, questões de segurança ou por não existir condições de estacionar a moto na via pública” (veja a nota mais abaixo).
Nota da PM
“A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que na noite desta terça-feira (21/02), policiais militares do 40° BPM (Campo Grande) foram acionados para um princípio de tumulto na Estrada do Magarça, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
De acordo com o comando da unidade, no local ocorria uma manifestação de um grupo de motoboys, que alegavam que um entregador havia sido agredido por um morador de um condomínio da região. Cabe informar que as partes envolvidas no suposto desentendimento não estavam no local no momento da confusão.
Na ação um homem acusado de desacato foi conduzido à 35ª DP (Campo Grande). Sobre o vídeo que circula nas redes sociais, o comando do 40° BPM (Campo Grande) instaurou um procedimento interno para avaliar a conduta dos policiais que atenderam a ocorrência.”
Nota do iFood
“O uso da violência é inaceitável. O iFood preza pelo respeito nas relações entre entregadores, clientes e restaurantes. Entramos em contato proativamente com o entregador para ampará-lo e prestar o auxílio necessário neste momento. A conta do agressor foi identificada e banida da plataforma, conforme previsto em nossos Termos e Condições.
Descer para buscar o pedido é uma das formas que podemos adotar no dia a dia para demonstrar respeito aos entregadores. Não existe obrigatoriedade e o iFood não faz nenhuma exigência aos profissionais que trabalham na plataforma para realizar a entrega diretamente no apartamento do cliente, por entender que há variáveis como regras do condomínio, questões de segurança ou por não existir condições de estacionar a moto na via pública, por exemplo.
Reiteramos que as boas práticas na relação com entregadores têm sido reforçadas nos canais de comunicação da empresa e também em campanhas nas redes sociais e pelo próprio aplicativo.”
Via Estadão Mato Grosso









