O vereador Tenente Coronel Dias (Cidadania) deu um passo formal para tentar cassar o mandato do colega Chico 2000 (PL) por quebra de decoro parlamentar. Ele apresentou o pedido nesta quinta-feira (9) na Câmara de Cuiabá, depois de Chico ter proferido insultos contra Dias durante sessão recente. Agora, o Conselho de Ética pode decidir o destino político de Chico.
O episódio começou em uma sessão tumultuada, quando Chico chamou Dias de “bosta” em meio a um debate acalorado. O requerimento de cassação acusa o parlamentar de agir de forma incompatível com a dignidade do cargo, ao ofender publicamente outro vereador dentro das dependências da Casa. O texto protocolado seguirá para análise do Conselho de Ética, que decidirá se abre ou não o processo formal que poderá levar à perda do mandato.
O papel do Conselho de Ética e os possíveis cenários
Se o presidente da Câmara admitir o requerimento, o Conselho de Ética terá de avaliar os fatos, coletar provas, ouvir as partes envolvidas e emitir um relatório. Este documento baseará a votação em plenário. Se a maioria qualificada — prevista no regimento interno da Câmara — aprovar a cassação, o processo avançará. Caso contrário, os parlamentares arquivarão o processo.
Um complicador recente é uma emenda à Lei Orgânica de Cuiabá aprovada em 2025 que aumentou o quórum necessário para cassação: antes bastava maioria absoluta, agora exige-se dois terços dos vereadores. Essa mudança torna mais difícil afastar colegas e reforça a proteção aos parlamentares.
Palavras que viraram representação
A ofensa pública — “Você é um bosta” — foi o estopim do pedido. Mas esse não é o primeiro embate entre os dois. Na sessão anterior, houve acusações mútuas, convite para briga e intensa troca de acusações. O clima de tensão entre os vereadores já era notório nos bastidores da Câmara. E esses confrontos — em público — viram munição para a representação por decoro.
Histórico recente e obstáculos legais
Não é a primeira vez que Chico 2000 enfrenta pedido de cassação. Em 2025, uma representação anterior foi arquivada por decisão unânime da Câmara, sob argumento de que não havia provas suficientes para abrir processo. O precedente mostra que, mesmo quando denúncias chegam ao plenário, o trâmite pode se encerrar antes de alcançar consequências.
Além disso, com a regra mais rígida para cassação em vigor, o processo agora enfrenta obstáculo maior para avançar. Mesmo que o Conselho de Ética recomende a perda de mandato, o resultado final dependerá de articulações políticas intensas no plenário.
Enquanto os vereadores se preparam para as próximas etapas, o episódio levanta questões importantes para a sociedade. A democracia exige respeito aos códigos de ética, mas também transparência, equilíbrio e responsabilidade no uso do poder.
Perguntas e respostas
Depende. Só se comprovada quebra de decoro e se o processo for validado pelo Conselho de Ética.
Sim. A elevação do quórum para dois terços torna mais difícil obter votos suficientes para cassação.
Sim — se a votação em plenário falhar ou se faltarem provas robustas no processo.






