A Polícia Civil de Mato Grosso investiga os advogados Gustavo Barros dos Santos e Liomar Santos de Almeida, além do bacharel em Direito Dimas Pimentel Barroso, por suspeita de participação em um esquema que prometia decisões judiciais favoráveis para presos em Mato Grosso. A investigação integra a Operação Smoke, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4), em Cuiabá.
Segundo a polícia, o grupo abordava familiares de pessoas presas e oferecia facilidades dentro do Poder Judiciário, afirmando possuir influência sobre magistrados ou servidores. Em troca, os suspeitos exigiam pagamentos elevados, alegando que os valores seriam destinados a pessoas capazes de interferir em decisões judiciais.
Os investigadores apuram a possível prática de exploração de prestígio e estelionato, crimes que envolvem o uso indevido de suposta influência em órgãos públicos para obtenção de vantagens financeiras.
Quem são os investigados
Gustavo Barros dos Santos
O advogado Gustavo Barros dos Santos aparece entre os principais alvos da investigação. Em suas redes sociais, ele afirma ter atuado como estagiário de pós-graduação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) em 2019.
Atualmente, ele também se apresenta como estagiário na Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT). A polícia investiga se o suspeito utilizava essa experiência institucional para convencer familiares de presos de que teria acesso ou influência no Judiciário.
Liomar Santos de Almeida
Outro investigado é o advogado Liomar Santos de Almeida. Nas redes sociais, ele se identifica como CEO da empresa de desenvolvimento artístico L.A Music.
De acordo com a Polícia Civil, Liomar teria participado diretamente das tratativas com familiares de detentos, prometendo decisões judiciais favoráveis mediante pagamento.
Dimas Pimentel Barroso
O terceiro investigado é Dimas Pimentel Barroso, bacharel em Direito. Em páginas públicas na internet, ele se apresenta como advogado criminalista, ligado a um escritório especializado em atuação na área penal.
A polícia investiga se Dimas intermediava contatos com familiares de presos e participava da negociação dos valores cobrados pelo grupo.
Como funcionava o esquema investigado
As investigações apontam que o grupo procurava familiares de pessoas presas no sistema penitenciário de Mato Grosso. Durante as conversas, os suspeitos afirmavam possuir contatos influentes no Judiciário de Cuiabá.
Com esse argumento, eles prometiam agilizar ou garantir decisões judiciais favoráveis, como progressão de regime, soltura ou outras medidas processuais.
Para viabilizar o suposto esquema, os investigados cobravam quantias consideradas altas, sob a justificativa de que o dinheiro seria repassado a terceiros com poder de interferência nas decisões judiciais.
Os suspeitos conduziam as negociações em reuniões presenciais ou por aplicativos de mensagens. Segundo a Polícia Civil, eles também orientavam os familiares a manter sigilo absoluto sobre as conversas, o que dificultava a descoberta da fraude.
Operação Smoke cumpre mandados em Cuiabá
A Polícia Civil executou 15 ordens judiciais durante a Operação Smoke. A Justiça expediu:
- 3 mandados de busca e apreensão
- 3 medidas cautelares diversas da prisão
- 9 ordens de afastamento de sigilos bancário, fiscal e telemático
As equipes policiais cumpriram os mandados nos bairros Pico do Amor, Santa Rosa e Residencial Coxipó, em Cuiabá.
A Justiça determinou medidas cautelares contra os investigados, incluindo:
- uso de tornozeleira eletrônica;
- comparecimento periódico à Justiça para informar atividades;
- proibição de contato com outros investigados e testemunhas;
- proibição de sair da cidade sem autorização judicial;
- entrega do passaporte.
A polícia já instalou as tornozeleiras eletrônicas durante o cumprimento das ordens judiciais.
OAB acompanha investigação
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) informou, por meio de nota, que acompanhou o cumprimento dos mandados de busca nos endereços dos advogados investigados.
A entidade afirmou ainda que encaminhará o caso ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED), responsável por analisar possíveis infrações cometidas por profissionais da advocacia.
Caso o órgão confirme irregularidades, os envolvidos podem sofrer sanções disciplinares, que variam desde advertência até suspensão ou exclusão dos quadros da OAB.
Perguntas frequentes
A Polícia Civil investiga os advogados Gustavo Barros dos Santos e Liomar Santos de Almeida, além do bacharel em Direito Dimas Pimentel Barroso, por suspeita de participação em um esquema de promessas de decisões judiciais para presos.
Segundo a investigação, os suspeitos abordavam familiares de presos e prometiam decisões judiciais favoráveis, alegando influência no Judiciário, em troca de pagamentos elevados.
A Justiça determinou uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com testemunhas, entrega de passaporte e comparecimento periódico à Justiça, além de autorizar buscas e quebra de sigilos.



