Beber refrigerantes em excesso pode parecer apenas um hábito comum, mas na prática, esse comportamento esconde sérios riscos para a saúde. Um caso recente, tratado pelo urologista Thales Franco de Andrade, exemplifica bem essa realidade. O médico precisou realizar uma cirurgia para remover múltiplos cálculos renais de um paciente que, diariamente, consumia entre dois e três litros de refrigerante. Esse episódio, portanto, serve como um alerta direto sobre os malefícios dessas bebidas tão populares.
Excesso de refrigerante provoca acúmulo de cálcio e oxalato nos rins
De acordo com Thales Franco, refrigerantes à base de cola — geralmente ricos em ácido fosfórico e açúcar — criam as condições ideais para a formação de cálculos nos rins e na bexiga. Quando o organismo processa essas substâncias em excesso, ele passa a excretar níveis mais altos de cálcio e oxalato pela urina. Como resultado, os cristais se acumulam e formam pedras. Além disso, o açúcar favorece a acidificação da urina, o que agrava ainda mais o quadro, tornando o ambiente urinário propício para a cristalização desses elementos.
Hábito de tomar pouca água intensifica o risco de complicações
Além do consumo exagerado de refrigerantes, o paciente também apresentava baixa ingestão de água. Esse fator, por si só, já representa um risco elevado para o desenvolvimento de cálculos renais. Quando a pessoa não se hidrata adequadamente, a urina se torna mais concentrada, o que aumenta a possibilidade de formação de cristais. Ou seja, quanto menor o volume de água ingerido ao longo do dia, maior a chance de que substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico se depositem nos rins e se transformem em pedras. Por isso, os médicos reforçam que manter a hidratação constante é uma das medidas preventivas mais eficazes.
Pesquisas científicas confirmam o impacto negativo dos refrigerantes
Para além dos relatos clínicos, estudos internacionais também comprovam os riscos. Um levantamento do Hospital Brigham and Women, nos Estados Unidos, acompanhou mais de 190 mil pessoas ao longo de anos e constatou que aquelas que consumiam bebidas açucaradas todos os dias apresentavam um risco até 23% maior de desenvolver cálculos renais. Assim, especialistas recomendam reduzir drasticamente o consumo de refrigerantes e priorizar líquidos mais saudáveis, como água, chás naturais e sucos sem açúcar. Além disso, adotar uma alimentação balanceada, com menos sal e proteína animal, também colabora para a proteção dos rins.
Portanto, o caso operado pelo urologista Thales Franco não é apenas um caso isolado. Pelo contrário, ele representa um cenário cada vez mais comum, impulsionado por maus hábitos alimentares e baixa ingestão de água. Embora os refrigerantes façam parte do cotidiano de muitas pessoas, é fundamental repensar esse consumo e dar prioridade à saúde. Afinal, cuidar dos rins exige constância, prevenção e, sobretudo, escolhas conscientes no dia a dia.
Perguntas frequentes
Porque seus componentes, como ácido fosfórico e açúcar, aumentam a excreção de cálcio e acidificam a urina, facilitando a formação de cristais.
Sim, mesmo sem açúcar, essas bebidas continuam contendo ácido fosfórico, que contribui para alterações prejudiciais no equilíbrio urinário.
Beber bastante água, reduzir o consumo de sal e açúcar e manter uma alimentação equilibrada são medidas práticas e eficazes para prevenir o problema.


