No ano passado, um encontro incomum ocorrido em Berlim, na Alemanha, chamou a atenção das redes sociais. Um grupo de pessoas, usando máscaras de cachorros e agindo como animais, viralizou ao serem filmados latindo e andando de quatro em uma praça pública. O evento lançou luz sobre uma comunidade peculiar conhecida como “therians”, composta por pessoas que sentem uma profunda ligação com um animal específico e se identificam com esse bicho em seu comportamento e estilo de vida.
A viralização desses vídeos levantou discussões sobre o comportamento e a mentalidade por trás desse movimento, que já conta com uma crescente base de seguidores nas redes sociais. Perfis de influenciadores ligados à comunidade therian estão conquistando milhares de seguidores, curiosos sobre o estilo de vida e a conexão que essas pessoas têm com o mundo animal.
Quem são os ‘Therians’?
Os therians se definem como pessoas que, de alguma forma, acreditam ter uma ligação emocional, espiritual ou comportamental com um animal. Embora essa ligação não envolva necessariamente uma crença de que são literalmente animais, muitos membros da comunidade expressam sua identidade imitando o comportamento do animal com o qual se identificam. No caso do evento em Berlim, os participantes adotaram o comportamento de cachorros, usando máscaras, latindo uns para os outros e até andando de quatro.
A comunidade therian começou a ganhar visibilidade nos últimos anos, impulsionada pelas redes sociais, onde vídeos e postagens sobre esse estilo de vida peculiar atraem a atenção de milhões de pessoas. Um exemplo notável é o perfil de uma jovem que se identifica com um gato. Em suas redes sociais, ela compartilha vídeos se comportando como o animal e interagindo com o ambiente como faria um felino. Seu perfil já acumula quase um milhão de seguidores, demonstrando o crescente interesse por essa subcultura.
Psicólogos analisam o fenômeno
Com o aumento da visibilidade dos therians, surgem também questionamentos sobre a natureza desse comportamento. Rodrigo Acioli, conselheiro do Conselho Federal de Psicologia (CFP), afirma que as pessoas podem ver o fenômeno como um modismo, uma expressão social que reflete a busca por identidade e pertencimento em grupos específicos. No entanto, Acioli destaca a importância de monitorar o impacto desse comportamento no cotidiano das pessoas envolvidas. “Pessoas que socializam vivem o modismo, então é preciso entender o contexto para saber se isso de fato é um problema prejudicial”, explica.
A psicóloga comportamental Maiara Soares acrescenta que o comportamento dos therians reflete a complexidade da mente humana, sendo necessário um diagnóstico mais profundo para avaliar possíveis impactos negativos. Ela ressalta que cada caso deve ser analisado individualmente. Levando em consideração o contexto de vida e as motivações que levam a pessoa a se identificar como um animal.
O debate em torno do comportamento therian envolve uma série de questões sobre a identidade e a liberdade de expressão. Para alguns, trata-se apenas de uma forma inofensiva de expressão pessoal, similar a outras subculturas ou modismos que surgem em diferentes momentos da sociedade. Para outros, especialmente pais e educadores, o fenômeno pode gerar preocupação quando afeta negativamente a vida social e emocional dos envolvidos.
A comunidade Therian nas redes sociais
As redes sociais se tornaram um terreno fértil para o crescimento da comunidade therian. Plataformas como TikTok, Instagram e YouTube abrigam perfis de pessoas que compartilham suas experiências e sentimentos sobre sua identidade animal. Esses influenciadores atraem um grande número de seguidores, gerando curiosidade e, muitas vezes, admiração por sua autenticidade.
No entanto, o fenômeno também gera controvérsias. Alguns críticos afirmam que a exposição de comportamentos tão diferenciados pode reforçar a ideia de modismo, com jovens aderindo ao movimento sem entender suas implicações. Outros argumentam que, como qualquer expressão pessoal, os therians têm o direito de se comportar da maneira que desejarem. Desde que isso não prejudique sua vida cotidiana.
O que dizer sobre o futuro da comunidade Therian?
O movimento therian é apenas um dos muitos exemplos de como a internet pode facilitar o surgimento de subculturas que. De outra forma, permaneceriam desconhecidas para o grande público. O comportamento de se identificar como um animal pode parecer incomum para muitos, mas reflete a busca humana por novas formas de identidade e expressão. Especialmente em um mundo cada vez mais globalizado e digital.
Enquanto psicólogos e especialistas discutem o impacto desse fenômeno. A comunidade therian continua a crescer e a ganhar novos adeptos, atraindo a curiosidade de milhões de pessoas ao redor do mundo. A questão que permanece é: até que ponto essa identificação afetará a vida pessoal e social dos indivíduos envolvidos? E como a sociedade lidará com esse movimento no futuro?
A viralização dos vídeos de therians em Berlim e a crescente popularidade desse grupo nas redes sociais despertaram um debate interessante sobre identidade, comportamento e a complexidade da mente humana. Embora algumas pessoas vejam esse fenômeno como apenas mais um modismo. Especialistas alertam para a necessidade de analisar o contexto e os impactos desse comportamento na vida dos indivíduos.
Devemos respeitar a liberdade de expressão e identidade, assim como qualquer outro comportamento humano. É essencial observar se essa escolha traz efeitos prejudiciais no dia a dia das pessoas que adotam essa forma de viver. O movimento therian, ainda que peculiar, destaca a busca por novas formas de pertencimento e autoexpressão, uma tendência que, com certeza, continuará a evoluir.







