O pedreiro Domingos Lima de Souza, morador de Rio Bonito do Iguaçu, no interior do Paraná, ainda tenta entender a força do tornado que devastou a cidade na última sexta-feira (7). O fenômeno destruiu casas, arrancou árvores, derrubou postes e deixou um rastro de destruição em diversas comunidades rurais. Em meio aos escombros, o trabalhador sobreviveu por pouco e contou que “só restaram as paredes” da casa onde morava.
“Saí com a roupa do corpo”
Em entrevista à imprensa, Domingos relatou que o vento chegou de forma repentina e violenta. “Só tive tempo de sair com a roupa do corpo. Da minha casa, sobrou só parede. Perdi tudo”, contou, emocionado. Ele disse que, desde a tragédia, sobrevive com a ajuda de vizinhos e voluntários. “Já consegui um colchão e estou procurando telhas para cobrir o que sobrou. Nesses dias, só comi um marmitex e um sanduíche. O resto o vento levou”, completou.
O pedreiro também lembrou o momento em que precisou correr para salvar a mãe, de 90 anos, que morava sozinha em uma casa próxima. “Fui correndo para o meio da criação, pedaço de ferro caindo por cima e tudo, mas estou vivo. Minha mãe se machucou bastante, perdeu tudo também, mas estamos vivos, e isso é o que importa”, disse.
A força do tornado e o rastro de destruição
De acordo com a Defesa Civil, o tornado atingiu ventos que superaram 120 km/h, destruindo casas inteiras e deixando dezenas de famílias desabrigadas. Em alguns pontos, o fenômeno arrancou telhados e postes de energia como se fossem brinquedos. Técnicos ainda avaliam o número total de imóveis afetados, mas o cenário é de devastação: ruas cobertas de destroços, animais mortos e propriedades inteiras reduzidas a escombros.
Moradores relatam que o céu escureceu em poucos minutos e que o vento chegou com barulho semelhante a uma explosão. Muitos correram para abrigos improvisados ou se esconderam em banheiros e fossos, prática comum em regiões sujeitas a tornados.
Solidariedade e reconstrução
Após o desastre, equipes da Prefeitura, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros trabalham para remover entulhos e prestar assistência aos desabrigados. A comunidade local se mobilizou com doações de roupas, alimentos e materiais de construção.
Enquanto tenta reconstruir o que perdeu, Domingos mantém a fé. “Agora é começar de novo. O importante é que estamos vivos. O resto a gente dá um jeito”, afirmou.
O episódio em Rio Bonito do Iguaçu reacende o alerta sobre a ocorrência de tornados no Sul do país, fenômeno que, embora raro, tem se tornado mais frequente nos últimos anos por causa das mudanças climáticas e do aquecimento das massas de ar.
Perguntas e respostas
Um tornado com ventos acima de 120 km/h atingiu a região, destruindo casas e arrancando árvores.
Domingos conseguiu sair de casa a tempo e correu para salvar a mãe, escapando de ser atingido por destroços.
Equipes da Defesa Civil e voluntários trabalham na reconstrução das casas e arrecadam doações para os desabrigados.




