Salário, crítica e saída marcaram o desabafo de um juiz no Paraná.
O magistrado afirmou que pode abandonar a carreira por insatisfação.
A declaração foi feita antes de uma sessão do Tribunal do Júri.
Um juiz de São Mateus do Sul (PR) criticou publicamente a remuneração da magistratura e afirmou que pode deixar a carreira. Ele fez a declaração antes do início de uma sessão do Tribunal do Júri, em imagens divulgadas pelo Portal Migalhas.
Foto/ Vídeo: Reprodução
Segundo dados disponíveis, o magistrado recebeu cerca de R$ 120 mil líquidos no último contracheque. Mesmo assim, ele afirmou que a remuneração não acompanha a carga de trabalho e comparou os ganhos com os de médicos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Desabafo sobre salário e rotina
O juiz declarou que a remuneração por hora trabalhada é inferior à de médicos generalistas do SUS. Ele destacou que possui doutorado e afirmou que cumpre uma rotina extensa, com jornada das 7h às 22h.
Durante o desabafo, ele demonstrou insatisfação com o cenário atual da magistratura e questionou a valorização da carreira.
Intenção de mudar de profissão
O magistrado afirmou que pretende deixar o cargo e migrar para a advocacia. Ele declarou que deseja abrir um escritório próprio e atuar na defesa de casos relacionados à Lava Jato.
Segundo ele, profissionais com maior qualificação tendem a sair da magistratura diante da atual realidade. A possibilidade de evasão de quadros qualificados foi destacada durante a fala.
Regras mais rígidas para salários
As declarações ocorreram após o Supremo Tribunal Federal (STF) estabelecer novas regras para a remuneração de magistrados e membros do Ministério Público.
A Corte definiu que apenas verbas previstas em lei federal poderão compor os vencimentos. Também foi proibida a criação de benefícios por meio de atos administrativos ou normas locais.
O STF manteve o teto constitucional em R$ 46,3 mil e determinou a suspensão de vantagens que permitiam ultrapassar esse limite. As mudanças passam a valer a partir da folha de pagamento de maio de 2026.
Perguntas e respostas
Ele é composto por salário base e verbas previstas em lei, respeitando o teto constitucional.
Para evitar pagamentos acima do teto e padronizar os vencimentos no país.
Sim. Ele pode pedir exoneração e seguir outra profissão, como a advocacia.
